Movimento e barulho na avenida dos galpões e garagens
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quarta-feira, 08 de outubro de 2008
Herika Fondazzi<br> Reportagem Local 
Quando se olha com mais atenção, é possível perceber que toda rua tem um espírito, uma cara própria. A avenida Celso Garcia Cid, em Londrina, com lojas apenas na sua área mais central, pode ser chamada de via das grandes empresas, das lojas de atacado, prestadoras de serviços e das garagens. Por toda a sua extensão, é possível ver dezenas de galpões e lojas cheias de carros usados para vender.
Quem resolveu investir nesse ramo e escolheu a Celso Garcia para se instalar foi o empresário José Foganholi Filho. Há um ano ele abriu uma loja de venda de veículos na avenida. Queria que fosse nessa região porque aqui está a maioria das lojas deste tipo. Para o cliente é mais fácil: a pessoa estaciona o carro por perto e sai fazendo pesquisa. Quem quer comprar carro usado, procura a Celso Garcia. Em um ano, não posso reclamar das vendas, estão boas. Pretendo continuar por aqui, garante.
O vendedor Edson Pereira de Paulo trabalha em um dos poucos locais de varejo: uma loja de produtos para animais que está na Celso Garcia há quase duas décadas. Estou aqui há 16 anos e acho o lugar muito bom para trabalhar. Nunca fomos assaltados. O maior problema é a falta de vagas para estacionar e o barulho do tráfego intenso. Acho que não iria gostar de morar aqui, não, diz.
Quem também reclama do grande movimento de carros na avenida é o dono de uma lotérica na área central, Marcelo Gomes Scalassara. O barulho aqui era tão grande que não conseguíamos falar ao telefone. Precisei fechar toda a loja com vidro para diminuir o incômodo. Mas não penso em sair daqui mesmo com isso. A violência é pequena, sofri apenas dois assaltos até hoje, o último em 2003. Estamos muito perto do centro comercial da cidade, o que também é uma vantagem. Outra coisa ruim são os prédio muito velhos. Acho que precisa haver uma revitalização dessa área, comenta. Acho que com a instalação do shopping aqui perto e do Marco Zero, mais lojas vão se instalar na Celso Garcia, o que vai ser bom para todo mundo, completa Foganholi.
E apesar do comércio intenso, ainda é possível encontrar moradores na avenida, principalmente na parte mais afastada do centro. A aposentada Maria Celeste Mendes mora na avenida há 25 anos e acompanhou todas as mudanças que ela sofreu. Quando vim para cá era tudo barro ainda. O asfalto começava onde hoje temos o viaduto. Para ir ao centro tinha que vestir galochas. Hoje está muito diferente, com um monte de carro e empresas. Meu filho mora comigo e ele fala de irmos embora para um apartamento por causa do movimento, mas eu não penso em sair daqui. Gosto da minha casa e dos poucos vizinhos que ficaram, afirma.
Um desses vizinhos é a dona-de-casa Diva Ferraz, que veio de Minas Gerais e se instalou na Celso Garcia há 9 anos. Quando me mudei não conhecia a cidade e escolhi aqui sem saber direito como era. Achei bom por ser perto do centro. Tem muito barulho e sempre acontecem acidentes de carro, mas gosto daqui. Acredito que no futuro não vai mais ter casas na avenida. Onde eu moro é alugado e o dono já comentou que pretende transformar em comércio. Sei que vou ter que mudar.


