Movimento cresce e ameaça segurança
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quinta-feira, 17 de maio de 2001
Maria Duarte e Andréa Lombardo De Curitiba 
A reunião de ontem entre representantes das mulheres dos policiais militares e a comissão do governo estadual não foi suficiente para colocar um ponto final na manifestação. Os protestos, que começaram na segunda-feira, prosseguiram ontem nas principais cidades do Estado. O destaque foi para Curitiba, onde houve enfrentamento de mulheres com a tropa de choque da Polícia Militar. No Interior, elas tomaram as chaves das viaturas, esvaziaram os pneus e bloquearam a entrada dos quartéis.
A audiência entre as representantes do movimento e a comissão do governo não agradou as mulheres dos PMs. A disposição de Maria da Conceição dos Santos, da Associação das Mulheres de PMs do Paraná, em fechar um acordo com o governo e acabar com a mobilização provocou um racha entre as manifestantes. Quando o governo achou que havia convencido as mulheres, o movimento acabou ganhando ainda mais força.
Conceição, ao anunciar para as manifestantes que estavam em frente ao Centro de Suprimento e Manutenção (CSM) do Quartel do Comando Geral da PM, em Curitiba, foi criticada, taxada de judas e saiu, às pressas, abaixo de vaias. Elas não podem me crucificar porque tinham representantes de Curitiba na reunião, que não se manifestaram contrárias à proposta, rebateu Conceição.
Para Conceição, as promessas de melhorias, como o seguro para os policiais que se envolverem em acidentes de trânsito e assistência judiciária, já foram um grande avanço. Também ficou acordado que o governo repassará 2% da gratificação PM Especial em 60 dias. Segundo ela, passado esse prazo, a intenção era de se fazer nova negociação para parcelar o percentual restante em três ou quatro vezes. A gratificação seria de 38%. O repasse para os salários aconteceria a partir da venda da Copel. Se o governador não cumprir com o que foi prometido, estamos preparadas para medidas mais drásticas, mas o que não podemos agora é colocar a sociedade em risco.
O secretário de Segurança, José Tavares, disse que alguns pontos na melhoria das condições de trabalho serão atendidos. Será formada uma comissão composta por representantes do Palácio Iguaçu e da corporação para avaliar quais pontos poderão ser atendidos, e quais serão as prioridades.
Além de Tavares, negociaram com as mulheres dos PMs o comandante geral da PM, Gilberto Foltran, e os secretários da Administração, Ricardo Smijtink, e da Casa Civil, Alceni Guerra. Uma das reivindicações é a alteração do Código de Vencimentos dos Policiais Militares (que funciona como uma espécie de plano de cargos e salários). Será analisada a possibilidade de pagamento de horas-extras e outros incrementos nos salários. No entanto, os benefícios se concedidos seriam efetuados somente a partir do próximo ano, porque precisam estar previstos no orçamento.
As mulheres de Curitiba interpretaram a proposta como absurda e decidiram manter acampamento em frente ao Quartel. Por volta das 15 horas, um grupo de mulheres e policiais se dirigiu até a 2ª Companhia do Batalhão de Trânsito para convencer mais PMs a aderirem ao movimento e esvaziaram os pneus das viaturas que estavam no pátio. Cerca de 50 minutos depois um grupo de aproximadamente 40 PMs do Bptran chegou à frente do CSM. Um deles afirmou que eles estavam sendo obrigados a trabalhar, mas revoltados porque representam o batalhão que mais dá lucro para o governo com as multas e notificações de trânsito.
No final da tarde, as manifestantes foram até os portões do quartel do Comando Geral, na Avenida Getúlio Vargas, na tentativa de impedir a troca de turno. Um grupo foi recebido pelo comandante geral da PM, coronel Gilberto Foltran, e outro pelo chefe do Estado Maior, coronel Oscar Paluch. A tentativa de convencê-las a deixarem a polícia trabalhar não funcionou. Logo depois, por volta das 18h50, as mulheres cercaram uma viatura do 17º, no meio do trânsito, obrigaram os PMs a encostar o carro e esvaziaram os pneus.


