Movimento cobra políticas públicas de igualdade racial
Para Maria Eugênia de Almeida, membro da comissão provisória do Conselho Municipal de Promoção de Igualdade Racial de Londrina, a situação vivenciada pelo mototaxista parece ilustrar um tipo de discriminação próprio do Brasil. No nosso país o racismo tem um tratamento muito subjetivo. No cotidiano ele não é verbalizado, mas é algo que existe e se percebe. É aquela velha história: se um policial vê duas pessoas suspeitas, ele pára primeiro o negro, exemplifica.
Ela diz que atualmente o movimento negro está mais voltado para a cobrança de políticas públicas de igualdade racial do que para a apuração de denúncias, mas que já ouviu vários casos semelhantes ao de Lourival de Jesus Silva. Há grandes chances de que tenha sido racismo, e nesse caso é interessante que a vítima entre na Justiça. Quando há reação, as pessoas pensam duas vezes antes de cometer esse tipo de crime novamente, assinalou.
Maria Eugênia acredita que o governo tem implementado políticas que ajudam na inclusão e no combate à discriminação racial, como as cotas estudantis, mas que ainda há muito a fazer em termos de educação. Isso começa com a qualificação de professores desde o Ensino Básico até o Superior, para que os alunos aprendam que os negros não foram sempre escravos, que o racismo está inserido num contexto sócio-econômico mundial, aponta.
O conselho que defende a igualdade racial está substituindo o antigo Conselho dos Direitos da Pessoa Negra. Segundo Maria Eugênia, a mudança se deve ao fato de ser um órgão municipal e, portanto, ter que pensar na sociedade como um todo. Seus representantes irão englobar outras etnias que também sofrem algum tipo de discriminação, como indígenas, japoneses, árabes e judeus, explicou. Segundo ela, o projeto de lei que cria o novo conselho está sendo elaborado para ser votado na Câmara de Vereadores. (V.N.)





