Dois anos depois de terem sido transferidos das calçadas da Praça Rui Barbosa para os quiosques da Rua da Matriz, artesãos e vendedores ambulantes contabilizam, hoje, uma queda nas vendas de até 90% com relação ao que faturavam quando estavam na rua. Para eles, uma das principais causas desta situação é a falta de divulgação sobre a existência das lojinhas dentro da Rua da Matriz.
‘‘Eles nos tiraram da rua e nos colocaram num local muito bom, longe da chuva e do frio, mas aqui nós estamos abandonados. Ninguém divulga nosso trabalho’’, reclama a artesã Marlene de Fátima Ferreira, que viu as vendas de suas bijouterias caírem 90% nestes dois anos. A artesã Sônia Fátima Alves do Nascimento também reclama da falta de propaganda. ‘‘Até hoje, dois anos após a inauguração da rua, é comum ver pessoas que antes compravam na praça falarem que não sabiam que os vendedores tinham sido mudados para dentro. Tem que fazer a divulgação das nossas lojas, porque nós saímos do caminho do pessoal. Agora só entra aqui quem tem interesse em comprar alguma coisa’’.
O superintendente da Secretaria Municipal de Urbanismo, Luiz Fernando Jamur, discorda destes argumentos. Ele lembra que a rua trouxe melhores condições para os vendedores e frequentadores e acredita que a mudança para a Rua da Matriz coincidiu com uma queda geral do movimento no comércio. ‘‘O movimento caiu em todo País, não só aqui’’. Pesquisa feita pela Prefeitura de Curitiba mostra que 19 mil pessoas frequentam a rua diariamente.
O presidente do Sindicato dos Artesãos, Valdir Felice, que tem uma barraca de produtos derivados de mel, conta que trabalha há 27 anos em feiras de artesanato e nunca viu uma situação tão difícil para os artesãos. Para encontrar uma solução, eles estão formando uma associação específica para representar os 558 vendedores da Rua da Matriz. ‘‘Nós acreditamos neste lugar, mas é preciso fazer alguma coisa para trazer o público para cᒒ.
A vendedora ambulante Margarida Maria Paiva e seu marido têm uma barraca na Rua da Matriz e outra na Praça Generoso Marques, onde vendem os produtos típicos das barracas de camelôs (mochilas, gorro, carteira etc). Ela não sabe precisar quanto vende em cada ponto, mas garante que o movimento é bem melhor na rua. ‘‘Tem gente que passa três, quatro dias sem vender nada’’. Esta informação é confirmada por Elza de Camargo, ambulante há 18 anos. ‘‘Tem dias que não vendo nada’’.(M.G.)

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