Uma estrada rural que desvia da praça de pedágio em Cascavel, na BR-277, é cada vez mais utilizada pelos motoristas que se recusam a pagar R$ 3,00 para trafegar na rodovia. O movimento é crescente na estrada desde o final da semana, quando a prefeitura concluiu as melhorias. O secretário de Desenvolvimento Rural, Agassiz Linhares, observa que a prefeitura ‘‘não abriu uma via alternativa ao pedágio’’, pois ela já existia. Mas recebeu melhorias que vinham sendo reivindicadas pelos agricultores moradores da região.
No sentido Cascavel-Curitiba, o desvio da praça de pedágio é feito à esquerda da BR-277, a partir de acesso (pavimentado) a São João do Oeste. O trecho tem cerca de 6 quilômetros. O leito foi levantado (para evitar erosão) e cascalhado, permitindo tráfego mesmo em dia de chuva. As melhorias beneficiam pequenos agricultores de São João do Oeste, Salto Portão, Cachoeira, Km 408 e famílias reassentadas pela Copel na Fazenda Refopas.
Ontem, até caminhões de empresas de Cascavel, que fazem entrega de mercadorias na área, são vistos trafegando pelo desvio. O condutor de um caminhão de uma empresa de materiais de construção disse que foi orientado ‘‘pela firma’’ para utilizar a via alternativa, ‘‘porque, afinal, são R$ 6,00, contando ida e volta’’.
O Consórcio Rodovia das Cataratas, responsável pelo lote 3 do Anel de Integração, ainda avalia os reflexos da estrada alternativa sobre sua receita com o pedágio. Não há definição sobre a possibilidade de tentar impedir seu uso, mas um coordenador da praça fez comentário sintomático: ‘‘Este desvio não vai durar muito’’. O procurador da República em Cascavel, Celso Antonio Três, observa que, amparadas no contrato com o Estado, concessionárias ‘‘arrogam-se o poder de obstruir, com tapumes e escavações, as raras vias alternativas existentes, como tem ocorrido’’.
O procurador move ação na Justiça Federal contra o pedágio na BR-277, no trecho Foz do Iguaçu-Guarapuava, porque não há vias alternativas para quem não quer se submeter à cobrança. Três quer liminarmente a suspensão da cobrança, e tem a expectativa de que a Justiça se pronuncie nos próximos dias. Enquanto isso, transportadoras preparam protesto contra os valores do pedágio, que consideram exagerado, segundo Alberto Furhmann, de Cascavel, membro da diretoria do Sindicato das Empresas Transportadoras do Paraná.
Além das cinco praças entre Foz do Iguaçu e Guarapuava, há outras cinco até Paranaguá, destino principal de caminhões de carga. A Folha tentou várias vezes, nos últimos dias, obter do Consórcio Rodovia das Cataratas informação sobre o número de carros que passam diariamente pelas suas cinco praças e o montante da arrecadação. A única informação foi de que são ‘‘cerca de nove mil veículos’’, sem divisão por praça e tipo de veículo. Carros pagam R$ 2,80 em algumas praças, e em outras R$ 3,00, e um caminhão com quatro eixos paga entre R$ 11,20 e R$ 12,00.

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