Movimento atrai desempregados e excluído urbano
Segundo Amarildo Nunes, 28 anos, coordenador da coluna do Oeste e cuja família está sendo assentada pelo Incra em Santa Tereza do Oeste, os sem-terra são a quase totalidade dos participantes da marcha. Mas há também desempregados urbanos, alguns desde o início e outros incorporando-se pelo caminho porque são todos excluídos, no campo ou nas cidades, disse. É o caso de Lauri Viana da Silva, 18 anos. Ele mora em uma favela em Foz do Iguaçu, onde trabalhava em uma metalúrgica, com salário de R$ 130,00. Agora, está desempregado, assim como quatro irmãos, o pai e a mãe.
Silva, que estudou até o 4º ano primário e quando criança trabalhou na roça, em Capanema (112 km a oeste de Francisco Beltrão), hoje prefere lutar por um emprego na cidade. Meu pai está muito doente e não tenho como ficar longe dele, justifica. A marcha tem um significado muito grande para o Brasil, diz.
Na hora do almoço, preparado em uma caminhonete adaptada como cozinha, e com alimentos doados por prefeituras ou assentamentos, Amarildo Nunes, embora cansado devido à caminhada, esperava pacientemente sua vez. Foram servidos feijão, arroz, mandioca, molho de carne moída e alface. É muito mais do que eu comia na favela.
Lucimara Lents, 35 anos, iniciou a marcha com três filhos menores. O marido, Casemiro, 46 anos, ficou na Fazenda Mitacoré, em São Miguel do Iguaçu, ocupada por sem-terra e brasiguaios, assim como a família Lents. Casemiro era peão no Paraguai e, segundo Lucimara, devido a problemas por falta de documentos, tiveram que voltar. A opção foi o barraco de lona na Mitacoré e agora a marcha, disse.
Uma das filhas, Luciana, 6 anos, seguiu parte da marcha em uma kombi por estar levemente adoentada. Resfriados e gripe são os principais problemas dos participantes da marcha por causa do frio e chuva dos últimos dias.
Silvana Lents, 13 anos, olhos azuis e cabelos loiros, tipicamente descendente de alemães, de início se interessa em acompanhar o trabalho da peportagem da Folha, mas depois, quando algumas perguntas lhe são feitas, reage: Por que você especula tanto? E se afasta.
Já Lauri da Silva é afastado por um subcoordenador da coluna, desconfiado, também por causa das várias perguntas. Só depois de informado que o coordenador Amarildo Nunes havia autorizado a conversa é que o rapaz foi liberado para continuar sendo entrevistado, com pedido de desculpas. (P.P.)





