A pirataria de mercadorias voltou à tona, na primeira semana de funcionamento do Shopping Popular, para onde foram relocados os 316 camelôs que revendiam produtos sem nota fiscal nas calçadas das avenidas Leste-Oeste e São Paulo, centro de Londrina. Ontem, o movimento no local foi intenso. A chuva colaborou e os consumidores compareceram em peso. ''As pessoas têm mais conforto e segurança aqui'', disse o presidente da organização não-governamental Canaã, Rogério Gonsales, antes da vistoria de representantes da marca catarinense Mormaii.
O representante da marca no Paraná, Fábio Veiga, vistoriou o camelódromo e encontrou camisetas falsificadas em sete boxes. ''Recebemos a denúncia das lojas licenciadas da marca e viemos constatar'', afirmou. Segundo Veiga, a empresa deverá adotar as medidas cabíveis, caso os camelôs insistam em vender o produto pirateado. Rapidamente, o líder dos camelôs foi acionado. ''Eles (representantes da Mormaii) não podem fazer pressão psicológica aqui. Se querem retirar os produtos das prateleiras, que venham com ordem judicial'', declarou Gonsales.
O camelô Valdemir Manchini considerou a abordagem dos representantes da Mormaii um abuso. ''Chegaram dando ordem para retirar a única camiseta que tinha em exposição'', disse ele. Em outros 18 boxes, mesmo com medo e desconfiança, os camelôs continuavam vendendo CDs falsificados e contrabandeados, ao contrário do que foi acertado com a Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU).
A presidente da Associação dos Camelôs de Londrina (Acal), Cleuza Maria da Silva, admitiu o problema, preocupada. ''Isto deverá ser solucionado com o tempo'', prometeu. Segundo ela, lei é lei e deve ser cumprida. ''Todo mundo sabe que tem gente que vende CD. Isto é responsabilidade de cada um'', disse Gonsales, irritado. Tanto é que camelôs reunidos em assembléia na última sexta-feira iniciaram um movimento para retirar esta responsabilidade do condomínio.
As opiniões se dividem. Para o menino L.H.S., 9 anos, que acompanhava duas irmãs na compra de um enfeite para cabelo, os camelôs deveriam respeitar a lei e servir de exemplo, no futuro, às crianças. ''Vender CD pirata é crime'', argumentou ele, com um CD original da febre nacional, o Rouge, comprado a R$ 22. Já para o pintor Wagner Simões, comprar CD pirata é a única maneira de o pobre ter acesso a este tipo de produto. ''Compramos CD falsificado porque é barato'', afirmou.

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