Movimentação não surpreende MST
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sábado, 11 de janeiro de 2003
Renê Muller<br>Reportagem Local 
A coordenação do MST no Paraná informou ontem à tarde que desconhecia algumas das últimas mobilizações feitas pelas famílias integrantes do movimento durante a semana. Na sede da regional paranaense, em Curitiba, havia poucas informações. Edson Bagnara, um dos coordenadores do MST, tinha conhecimento da situação da Fazenda Trambini, em Foz do Jordão, e na Lapa, relativa à área da Fazenda Cerrito. ''Essas já visitamos e recebemos informações, até porque são acampamentos mais antigos, em áreas que estão em negociação'', ressaltou.
Ainda assim, algumas iniciativas dos sem-terra já eram esperadas com a mudança de comando nos governos federal e estadual. Roberto Baggio, membro da coordenação paranaense do MST, disse no início da noite de ontem que a questão da reforma agrária voltou à pauta com os novos governos. ''Não há nenhuma novidade, essas famílias já estavam acampadas, e estão se movimentando porque esperam uma definição com relação à reforma agrária'', opinou Baggio. ''Já estão esperando há tempo e ficam na expectativa de que as coisas sejam definidas já''.
Baggio argumentou que há uma demanda reprimida de oito anos relativa à reforma agrária e lembrou do comprometimento do governo Lula com a questão. Ele disse que ao todo são quatro mil famílias aguardando serem assentadas no Paraná, e que a expectativa geral é de assentamento imediato. ''São 300 mil famílias de camponeses sem-terra vivendo aqui, e 4,8 milhões em todo o País'', frisou.
Somente com o cadastramento promovido pelo governo de Fernando Henrique Cardoso através do Correio, ele lembrou que cinco mil famílias paranaenses demonstraram interesse em ter sua terra. O MST paranaense também participa da elaboraçãode uma pauta de reivindicações que deverá ser entregue ao novo governo federal, relativa ao assentamento dos sem-terra.


