Moveleiros de Arapongas negociam área para tratamento de resíduos
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 31 de maio de 2001
Lúcio Flávio MouraDe Arapongas 
O Sindicato das Indústrias de Móveis de Arapongas (Sima) está a um passo da solução de um velho problema ambiental do município: encontrar um local adequado para lançar as 200 toneladas diárias de resíduos produzidos pelo terceiro maior pólo moveleiro do País.
Já estão adiantadas as negociações para a compra de um terreno de 12 hectares em uma área afastada da cidade para abrigar um complexo de reciclagem do material, que além de madeira, inclui plástico, papel, borracha, vidro e metais.
O sindicato dos fabricantes está tendo apoio da prefeitura para implementar o projeto. Em 60 dias deve entrar em operação um processador de madeira capaz de transformar 120 toneladas diárias de ripas em cubos para alimentar caldeiras.
De acordo com o planejamento inicial, em 90 dias estará pronto um galpão onde haverá a separação dos materiais, que serão compactados e repassados para recicladoras da região. Na fase seguinte, cujo prazo para implementação é de 120 dias, entrará em operação a primeira vala (cada uma tem autonomia de dois anos e custa R$ 300 mil) que receberá os resíduos que não podem ser reciclados e põem em risco o meio ambiente.
Segundo o engenheiro Erickson Melluns Kemmer, funcionário da Emater que presta assessoria técnica ao projeto, as valas terão camadas de argila impermeabilizante, uma geomembrana e serão cobertas, protegendo o lençol freático.
Até agora 72 empresas de Arapongas e Rolândia já se integraram ao Centro de Tecnologia de Desenvolvimento Sustentável, uma ONG que arrecadará os recursos juntos aos fabricantes de móveis e que administrará o complexo.
Durante a semana passada, a área da nascente do Ribeirão Três Bocas, que abastece vários municípios da região e que estava sendo usada como lixão industrial, foi limpa em uma ação conjunta do Sima e da prefeitura. No início do mês, a prefeitura foi autuada pelo Ibama por poluir as águas e por não respeitar a área de proteção da nascente, uma faixa lateral de 50 metros. No local, havia grande concentração de material nocivo ao meio ambiente, que estava causando até mesmo combustão espontânea de gases. O lixo industrial vem sendo lançado desde segunda-feira em uma área restrita de uma antiga pedreira, onde está instalado o aterro municipal.
O procurador jurídico do Município, Fernando Sartori, disse que a prefeitura tentará o abatimento de 90% da multa. De acordo com o decreto federal 3179/99, o autuado pode conseguir o benefício se apresentar um plano de recuperação da área e firmar um termo de compromisso estipulando prazos para o processo. Sartori afirmou que o plano já começou a ser implementado com o plantio de árvores e com a limpeza da área.


