Mototaxistas se surpreendem com a prisão de líder
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segunda-feira, 07 de agosto de 2006
Silvana Leão<br> Reportagem Local 
A prisão na madrugada de domingo da presidente da Associação dos Mototaxistas do Norte do Paraná, Edmara Adolfo Ferreira, acusada de tráfico de drogas, foi o principal assunto nas centrais de mototaxis ontem. Vários proprietários de centrais entrevistados pela Folha se disseram surpresos com o suposto envolvimento dela com o crime. Edmara, que está detida no 3º Distrito Policial (DP), sempre foi uma liderança no setor e várias vezes defendeu publicamente a punição de mototaxistas envolvidos com o tráfico.
''Nós somos o Cristo do dia'', afirmou Orival Afonso Pinto, proprietário do Mototáxi Lindóia, para definir o impacto da notícia. Ele teme que o fato prejudique ainda mais a imagem destes profissionais, que se proliferaram na cidade na última década. ''Estamos vivendo uma época difícil, inclusive com muito roubo de motos e assaltos. Sobre o envolvimento de alguns com o crime, há cerca de três semanas procurei a Edmara para falar sobre a dificuldade de termos um cadastro de mototaxistas. Hoje em dia a gente nunca sabe em quem pode confiar.''
Nos últimos nove anos, o empresário se acostumou a recorrer à presidente da associação para ajudar nas dificuldades. ''Ela foi uma das principais colaboradoras para que muitas empresas de mototáxi de Londrina passassem a trabalhar dentro da lei. Foi lamentável o que aconteceu, uma grande surpresa. Neste momento não dá para julgar, até porque ela afirma que a jaqueta que estava com as drogas não é dela. Nunca soube de qualquer envolvimento da Edmara com o tráfico'', argumentou.
Outro conhecido antigo de Edmara também se disse ''abismado'' com sua prisão. Luís Antonio Campinha, proprietário da Central Mototáxi, lembrou que embora sejam comuns as notícias de mototaxistas ''se dando mal'', não dá para generalizar. ''Precisamos lembrar que tem muita gente boa e honesta trabalhando com mototáxi. Não é certo que todos paguem por uns poucos. Infelizmente, toda categoria tem suas laranjas podres'', disse.
Uma outra proprietária, que preferiu não se identificar, acha que a prisão da líder vai aumentar o preconceito da população com estes trabalhadores. ''Foi uma coisa bem vergonhosa. É a conversa do dia. Está todo mundo surpreso'', afirmou.
O delegado do Grupo Especial de Combate ao Narcotráfico (Gecon), João Aquino, admite que é grande o número de mototaxistas que se envolve com o tráfico de drogas, mas não há um levantamento que aponte para um número específico. ''Temos inclusive o caso de um que foi preso, cumpriu pena e depois de solto reincidiu no crime e hoje está preso de novo.''
O gerente de Fiscalização de Trânsito da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), Álvaro Grotti Júnior, defendeu uma reestruturação do serviço de mototáxi em Londrina, com uma regulamentação ''mais enérgica e profissional''. Segundo Grotti, a cidade tem hoje cerca de 800 mototaxistas cadastrados, trabalhando para aproximadamente 60 centrais.


