A Associação Mototáxi Norte do Paraná, que reúne mais de 700 mototaxistas de Londrina, promete dar entrada na Câmara Municipal a um projeto com emenda popular que prevê a legalização do serviço na cidade. O projeto, que deve ser encaminhado à Câmara de Vereadores até o início do próximo ano, só não foi apresentado antes, segundo Vilson Dalla Costa, presidente da entidade, porque o texto da proposta de lei precisou passar por adequações à nova lei de trânsito. Ele garante que já foram levantadas mais de 25 mil assinaturas para viabilizar o projeto.
Entre as novidades que foram acrescentadas à proposta estão a obrigatoriedade de seguro para passageiro e condutor; cursos de direção defensiva e primeiros socorros; atestado de bons antecedentes; idade máxima do veículo em até oito anos etc. A associação também quer estipular o número máximo de mototaxistas trabalhando conforme a população da cidade, assim como ocorre hoje com os motoristas de táxi. ‘‘Só que um automóvel carrega quatro passageiros e a moto apenas um. Por isso vamos brigar para termos pelo menos mil mototaxistas autorizados a trabalhar’’, diz.
Vilson Costa defende que a legalização do serviço é importante porque a cidade de Londrina já é, segundo ele, a segunda do País em movimento de mototáxi - perdendo apenas para Fortaleza (CE). ‘‘A gente diz isso baseado em informações coletadas junto à outras centrais’’, informa. A associação estima que hoje a cidade mantém 1,1 mil mototaxistas trabalhando, com média diária de 12 viagens cada um. Seriam 13,2 mil viagens diárias, que movimentariam aproximadamente R$ 150 mil por dia.
Por enquanto, somente três empresas de Londrina - Zona Norte, Lindóia e Solução - estão operando legalmente, com liminares ou sentença julgada no Tribunal de Justiça. Vilson Costa aposta, no entanto, que as outras empresas continuam trabalhando respaldadas pelo próprio governo estadual, que tem concedido a elas o registro no Cadastro Geral do Contribuinte (CGC). ‘‘É a hierarquia das leis: a lei do estado é maior que a lei do município. E é baseado nisso que os municípios estão legalizando’’, diz.
O presidente da Associação dos Mototaxistas acredita também que, com a legalização, a segurança do serviço será ainda maior, já que haverá controle rígido da situação do veículo e também do condutor. Segundo ele, acidentes como o do último sábado de manhã, envolvendo um mototaxista e um ônibus coletivo, acabam afetando a credibilidade do serviço, embora nem sempre o condutor seja culpado. O acidente ocorreu na esquina das ruas Rio Grande do Norte e avenida Jorge Casoni (área central) e matou a passageira Cristiane Tereza Braga, 23 anos. ‘‘Neste caso, o rapaz estava andando fora do horário de serviço. Mas também estamos tentando saber exatamente o que aconteceu’’, diz.
Vilson Costa acrescentou que no mês passado mais de 500 motociclistas (incluindo mototaxistas) participaram no campus da Universidade Estadual de Londrina (UEL) de um curso de primeiros socorros e direção defensiva com instrutores da Yamaha. O curso, segundo ele, foi promovido pela própria associação, em parceria com a Yamaha e a empresa Igapó Motos. ‘‘Esse curso foi importantíssimo porque tinha mototaxista que não sabia se portar na pista nem como motociclista e nem como mototaxista’’, avaliou.

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