Um grupo de mototaxistas protestou ontem em frente ao prédio da 10ª Subdivisão Policial de Londrina, cobrando medidas para conter os assaltos contra a categoria. Uma passeata com aproximadamente 150 motos saiu do Cemitério José de Anchieta, na zona norte da cidade, após o sepultamento de Marcos Adriano de Moraes, 28 anos, mototaxista morto na noite de segunda-feira em Cambé com um tiro na nuca. O delegado Antonio do Carmo descartou a tese de homicídio (roubo seguido de morte).
‘‘Queremos mais segurança porque o número de roubos contra mototáxi é muito grande, são três a quatro por semana’’, afirmou o presidente da Associação dos Mototaxistas do Norte do Paraná Vilson Primo Dalla Costa, 34 anos. Segundo ele, alguns já tiveram até três motos roubadas em apenas um ano. Para Vilson Costa, a polícia precisa desencadear ações voltadas para o setor porque o risco enfrentado pelos motociclistas é grande.
Perenilton Floro Menezes, 23 anos, mototaxista há quatro anos, lamentou a morte do colega e disse que nesse ramo o profissional não tem muito o que fazer para a própria segurança. ‘‘Só rezar bastante, não é o serviço que a gente escolheu’’, comentou. ‘‘A Polícia só pega motoqueiro em blitz’’, desabafou Janaína Andrade Alves, 23 anos, secretária da associação onde trabalhava Marcos Moraes.
O delegado operacional da 10ª SDP Jurandir Gonçalves André, disse que o protesto dos mototaxistas foi válido e cobrou auxílio da categoria no combate à criminalidade. ‘‘Acho válido o protesto, mas é preciso conscientização dos mototaxistas no sentido de cooperar com a polícia, repassando informações de pessoas suspeitas’’, afirmou. Segundo ele, todos os dias há prisões de assaltantes. ‘‘Paulatinamente estamos diminuindo o problema.’’
O delegado disse que a profissão é de alto risco e por isso está orientando as centrais a evitar corridas em locais desertos, para pessoas suspeitas ou que chamem o serviço em locais considerados perigosos. ‘‘É preciso que haja cautela’’, resumiu.
Adriano Moraes estava na profissão havia três meses e deixou esposa, e filhos. Antes trabalhava como segurança no Catuaí Shopping Center, mas de acordo com sua irmã, Andréia de Moraes, 26 anos, deixou o emprego anterior porque ganhava mal. ‘‘A gente vivia alertando para ele tomar cuidado. Mataram meu irmão como se mata um cachorro, com um tiro na nuca’’, desabafou.
Ontem de manhã a polícia encontrou a moto Honda Titan, placa AFA-6395, de cor vermelha, intacta, na periferia de Cambé, junto com os dois capacetes e R$ 50. ‘‘Nós temos uma testemunha que presenciou o crime no raio de identificação visual. Tínhamos no início da investigação o princípio de latrocínio. Agora nossas diligências caminham mais para um homicídio’’, comentou.
Em fevereiro deste ano, também em Cambé, foi assassinado com um tiro na nuca o mototaxista Éverton Cambuí de Melo. O acusado pelo latrocícinio é Roni Roque Ferreira, 18 anos, que está preso. A Associação dos Mototaxistas calcula que em Londrina existam cerca de 1.300 pessoas trabalhando na profissão e mais de 100 somente em Cambé.

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