Lúcio Horta
De Londrina
Um protesto com cerca de 300 mototaxistas de praticamente todas as centrais de Londrina parou o centro da cidade ontem de manhã. A manifestação ocorreu por causa da demora da Câmara de Vereadores em votar um projeto de iniciativa popular, regularizando a situação da categoria no município.
O projeto foi protocolado há quase quatros meses, com mais de 28 mil assinaturas, e até agora não foi apreciado pelos vereadores.
Os mototaxistas começaram a manifestação de forma diferente. Eles distribuíram cerca de 30 caixas de leite – equivalente a mais de 300 litros do produto – para famílias carentes do assentamento San Rafael, na zona leste da cidade. O leite foi adquirido pela Associação dos Mototaxistas do Norte do Paraná, com dinheiro recolhido junto às centrais.
Do San Rafael, os mototaxistas partiram para o centro, passando pela Avenida Leste Oeste, ruas Pernambuco e Piauí e Avenida Rio de Janeiro, seguindo um caminhão de som estampando faixas com as inscrições ‘‘Regularização Jᒒ, ‘‘Chega de tanta enrolação’’ e ‘‘Respeitem os 28 mil eleitores’’.
No centro de Londrina, os mototaxistas se concentraram na Concha Acústica, onde cantaram o Hino Nacional e também rezaram a oração do Pai Nosso.
Vilson Dalla Costa, presidente da Associação, disse que a manifestação teve como objetivo tentar sensibilizar os vereadores para que votem o projeto antes do recesso parlamentar, que começa dia 15 de dezembro. Depois disso, os trabalhos na Câmara só volta em fevereiro.
Ele lembrou que as 28 mil assinaturas que a entidade levantou corresponde a cerca de 9% do eleitorado londrinense. ‘‘Daria para eleger até quatro vereadores. Por isso esperamos que eles vejam esse protesto como alerta. Até porque muitos deles serão candidatos no ano que vem’’, destacou.
O presidente da associação lembrou que Londrina deveria dar o exemplo a outras cidades do Estado, legalizando o serviço. Ele lembrou que municípios como Cornélio Procópio, Umuarama e Sarandi, entre outros paranaenses, já tomaram esse caminho.
Sem contar outros estados da União: Goiânia (GO) e Fortaleza (CE), segundo ele, já teriam o serviço regularizado. ‘‘E em Santa Catarina, mais de 20 municípios já tem mototáxi, incluindo Florianópolis.’
Dalla Costa defende que a com a regularização, o serviço de mototáxi em Londrina tende a melhorar.
Ele explicou que a lei que tramita na Câmara prevê, entre outras coisas, seguro obrigatório, curso de direção defensiva e condições mínimas do equipamento. Isso possibilitaria, segundo ele, maior segurança e melhor controle sobre o serviço.
Ainda segundo o presidente da associação, aproximadamente 1,2 mil motociclistas de Londrina estão trabalhando no serviço de mototáxi, em 112 centrais diferentes.
Ele acrescentou que o prefeito Antonio Belinati (PFL) já teria garantido à categoria que o projeto, se aprovado na Câmara, será sancionado. ‘‘Então falta ir para pauta e ser votado.’’Manifestação reuniu cerca de 300 motociclistas que sobrevivem do transporte de passageiros
Fotos Mário CesarMototaxistas distribuiram leite em assentamento urbano de Londrina (ao lado). Depois sairem em grupo em direção ao centro da cidade, onde cantaram o Hino Nacional e rezaram o Pai Nosso na Concha Acústica

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