Cerca de 100 mototaxistas paralisaram ontem, por 20 minutos, a Ponte da Amizade, na fronteira entre Brasil e Paraguai. Eles protestaram contra a morte do mototaxista Otávio Dionísio, 42 anos, assassinado anteontem à noite, em Foz do Iguaçu, enquanto atendia uma corrida.
Os mototaxistas bloquearam a passagem de veículos no local, provocando congestionamento de mais de três quilômetros dos dois lados da ponte. O protesto teve objetivo de chamar a atenção da polícia para a onda de assaltos que vem vitimando os mototaxistas. Somente nesta semana, três mototaxistas tiveram suas motos roubadas durante a prestação do serviço.
Dionísio trabalhava como mototaxista há um ano e meio. Ele era casado e tinha dois filhos. Anteontem, um homem foi até o ponto de mototáxi que ele trabalhava, solicitou uma corrida até o Jardim São Paulo. Quando chegaram no local combinado, outras duas pessoas aguardavam para realizar o assalto. Dionísio recebeu um tiro no peito e teve morte instantânea. O enterro dele está marcado para às 8 horas de hoje em Santa Terezinha de Itaipu. Até o final da tarde de ontem, a polícia não tinha pistas dos assaltantes.
Segundo o representante da Comissão Pró-Associação dos mototaxistas de Foz do Iguaçu, Jacir Ferreira, ‘‘a falta de interesse da polícia em identificar as quadrilhas que roubam mototáxis na cidade, está contribuindo para o aumento dos assaltos’’. ‘‘Toda semana temos motos roubadas. A polícia não faz nenhum esforço para pegar os assaltantes, ela é completamente omissa. Nós queremos que a polícia vá atrás dos assaltantes’’, afirmou.
De acordo com Ferreira, ontem, a comissão esteve reunida com o Comando Geral da Polícia Militar do Paraná para reivindicar medidas de segurança aos mototaxistas. ‘‘Pedimos, entre outras coisas, que seja criado um canal de ligação entre a polícia brasileira e a polícia paraguaia. Queremos mais rigor na fiscalização dos veículos que atravessam a ponte’’, disse.
O serviço de mototáxi funciona ilegalmente há dois anos em Foz do Iguaçu. Segundo informações de Ferreira, desde que o serviço foi implantado, 60 motos já foram roubadas. Desse total, apenas duas foram recuperadas, antes de atravessar a Ponte da Amizade.
Cerca de 250 veículos divididos em 30 pontos prestam o serviço. No início deste ano, a prefeitura determinou que todos os pontos fossem lacrados, mas a medida foi cumprida apenas parcialmente. Mais tarde os pontos voltaram a funcionar. Os mototaxistas acreditam que ainda este mês, o projeto que regulamenta o serviço deve ser votado na Câmara de Vereadores.

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