Paulo Pegoraro
De Cascavel
Operadores do serviço de mototáxi de Cascavel iniciaram protesto, na manhã de ontem, estacionando suas motos em volta da prefeitura para pressionar o prefeito Salazar Barreiros (PPB) a intermediar a liberação da atividade. A prefeitura se embasou em decisão do Tribunal de Justiça (TJ) – que não reconhece as motos como meio de transporte de passageiros – e lacrou todos os pontos, onde atuavam aproximadamente 200 pessoas.
Os operadores disseram no final da tarde – mesmo sob chuva e baixa temperatura – que passariam a noite no local até aparecer uma solução. No final da semana passada, a Polícia Militar deteve nove mototaxistas, alegando que eles teriam resistido à ação dos fiscais da prefeitura. As detenções provocaram revolta, porque alguns chegaram a ser algemados. ‘‘Somos trabalhadores, não vagabundos’’, disse Juarez Rodrigues, um dos líderes.
A decisão de acampar foi tomada depois de uma reunião da comissão dos trabalhadores com o prefeito. Salazar Barreiros disse que apenas faz ‘‘cumprir a lei’’, porque o Código Brasileiro de Trânsito não prevê o uso de motos para transportar passageiros. Os mototaxistas não se conformam com o fato da prefeitura ter tomado a iniciativa de recorrer ao TJ contra uma liminar da Comarca local, que permitia o serviço, prestado há mais de três anos.
O recurso foi julgado no dia 21 de setembro, quando a prefeitura começou a lacrar os pontos. Manifestação de taxistas, quinta-feira, exigiu o encerramento da atividade. Os taxistas cobravam R$ 2,00 pela bandeirada inicial. A tarifa do transporte coletivo urbano é de R$ 0,80. O mototáxi cobra R$ 2,00 por corrida para qualquer ponto da cidade.
Os mototaxistas dizem que a atividade garante a sobrevivência de suas famílias, e que não há outros empregos disponíveis. Eles reclamam também da Câmara de Vereadores que ‘‘engavetou’’ um projeto para regulamentação do serviço. Do prefeito Salazar Barreiros, ouviram a ‘‘recomendação’’ de que devem reivindicar de deputados federais a apresentação de projeto neste sentido, ‘‘pois esta não é uma questão da competência municipal’’.
Líderes dos operadores contestam, utilizando exemplos de outras cidades brasileiras, nas quais o serviço opera normalmente. Em Francisco Beltrão, no Sudoeste do Estado, a prefeitura autorizou recentemente o trabalho de 35 mototaxistas, com a possibilidade de ampliar o número de acordo com o crescimento da demanda, depois de discussões também com taxistas. Em Camboriú (SC), o serviço está inteiramente liberado.

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