Mototaxistas protestam contra morte de colega
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terça-feira, 02 de abril de 2002
Emerson Dias<br>Reportagem Local 
Mototaxistas amigos de Jean Youri Ferreira da Silva, 32 anos, que morreu atropelado no último sábado em um cruzamento do Jardim Califórnia, zona leste de Londrina, protestaram ontem pelas ruas da cidade. Ele pedem a prisão preventiva do advogado Victor Pereira da Silva, apontado pelos manifestantes como o responsável pelo acidente.
O protesto começou logo após o enterro de Jean, realizado ontem às 13h40, no Cemitério Jardim da Saudade (zona norte). Revoltados com a morte do companheiro, cerca de 80 mototaxistas saíram em direção ao centro da cidade até chegarem ao Fórum. Policiais militares escoltaram o grupo, mas não interferiram no protesto.
Depois de estacionarem na Praça dos Três Poderes, ouviu-se um buzinaço. Motociclistas estenderam faixas com os dizeres: A Justiça deve ser para todos. Prisão ao doutor Victor Ferreira por homicídio culposo. Para a dona da empresa onde Jean trabalhava, Rose Alarcon, não há desculpa quanto à responsabilidade do acusado. Ele sabe todas as leis e não poderia fugir do local. Este crime não pode ficar impune, afirmou.
Durante o protesto, os mototaxistas decidiram seguir em comboio até a casa do advogado, localizada na Rua Humberto Nóbrega, no Jardim Califórnia. A tensão aumentou quando alguns manifestantes tentaram invadir a casa. Auxiliada por alguns motociclistas, a PM conseguiu evitar a depredação. Outras quatro viaturas foram chamadas para reforçar a segurança, mas não houve confronto. O protesto terminou às 14h50, depois que as faixas foram deixadas em frente a residência de Victor.
A reportagem tentou contactar o advogado, mas não conseguiu localizá-lo. Eles saíram durante a madrugada de domingo, levando até as placas que indicavam o serviço de advocacia. Devem estar em outra cidade, disse uma vizinha que não quis se identificar. Ela disse que a família de Victor morou no local por pelo menos dois anos.
Segundo o delegado do 3º Distrito Policial e responsável pelo caso, Marcelo Sakuma, o acusado já está respondendo processo por homicídio culposo. Ele foi colocado em liberdade no sábado mediante fiança (R$ 120,00), mas as investigações continuam. Também recaem sobre ele as acusações de fuga do local e embriaguez ao volante, afirmou Sakuma, baseado em depoimentos dos policiais militares que realizaram o flagrante.


