Após ser confundido com um ladrão de motos, o tatuador Alexandro Lemos, 26 anos, teve sua casa destruída por uma grupo de pelo menos 80 mototaxistas no final da tarde de anteontem. A residência fica no Jardim Planalto (Zona Norte de Londrina), bairro onde na manhã do mesmo dia veículos de dois mototaxistas foram levados por assaltantes não identificados pela polícia.
Segundo o delegado do 5º Distrito Policial, Marcos Belinati, a confusão começou quando policiais militares encontraram dois capacetes no terreno baldio que fica ao lado da casa de Lemos. Desconfiados, eles interrogaram o tatuador e outros dois rapazes que estavam no local e os levaram para serem reconhecidos pelas vítimas na delegacia. ''Como os mototaxistas não os reconheceram como autores do furto, os três foram liberados'', contou.
Apesar disso, no final da tarde sua casa foi destruída por motociclistas. Eles teriam iniciado um protesto contra o alto índice de roubo de motos em frente ao 5º DP e terminaram o movimento com o arrombamento e destruição da casa. Móveis, aparelho de som, fogão, janelas, portas e até o telhado da residência foram totalmente danificados. ''Ainda bem que ele (Lemos) não estava na casa. Podia ter acontecido uma besteira'', afirmou o delegado. As motos roubadas foram encontradas anteontem em um mocó do Jardim Planalto.
Abalado pela perda de todos os seus pertences, o tatuador procurou a 10 Subdivisão Policial (SDP), ontem, para registrar queixa contra a Associação dos Mototaxistas de Londrina, que teria organizado o protesto em frente à delegacia. ''Fui tranquilamente participar do reconhecimento e na volta passei na casa da minha mãe para avisar que não tinha sido preso. No caminho, uma amiga minha me disse que os mototaxistas estavam revoltados e me escondeu na casa dela. Foi a minha sorte, pois eles poderiam ter me matado''.
Sua maior preocupação, agora, é conseguir pagar os prejuízos causados ao dono
do imóvel que ele alugava por R$ 150,00 mensais. ''Vou procurar um advogado e correr atrás dos meus direitos. Não fui eu quem destruí a casa'', disse ele. Ao ser questionado se tinha alguma informação sobre o verdadeiro ladrão, Lemos foi enfático: ''Se eu soubesse quem roubou, já teria entregado à polícia. Não estaria me arriscando à toa'', comentou.
A presidente da Associação dos Mototaxistas, Edmara Adolfo Oliveira, negou a responsabilidade da entidade com relação ao ocorrido. Segundo ela, a idéia era fazer uma passeata pacífica. ''Outros motociclistas da comunidade, que não trabalham como mototaxistas, aderiram ao protesto e acabaram quebrando a casa.''
Edmara afirmou, ainda, que a categoria está revoltada com o alto índice de roubo de motos em Londrina. ''Em uma semana, foram sete motos roubadas'', disse. Muitas delas eram financiadas e ainda não estavam pagas. ''Eles (mototaxistas vítimas de roubos) perdem sua única ferramenta de trabalho e acabam sem ter como ganhar dinheiro para comer.''

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