Mototaxistas autônomos continuam nas ruas
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segunda-feira, 24 de março de 2003
Fábio Galão<br> Reportagem Local 
Encerrou ontem o prazo dado pela Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) para que os mototaxistas de Londrina em condições irregulares acertassem sua situação. A CMTU está contabilizando o número de profissionais que procuraram o poder público após a intimação da semana passada, e os resultados só devem estar prontos amanhã. Segundo Wilson Sella, presidente da Companhia, mais de 40 mototaxistas buscaram regularizar sua situação nos últimos dias.
A grande polêmica gira em torno dos profissionais que se concentram nas ruas, prática que é proibida por lei, já que os mototaxistas só podem ficar nas Centrais. ''A rua é um problema para os mototaxistas, porque estes trabalhadores precisam da fiscalização, para que a Prefeitura se certifique de que eles tiveram a formação adequada para sua profissão, de que eles possuem seguro. Isto é uma garantia para os clientes e para os próprios mototaxistas'', diz Sella.
Embora a CMTU saliente que tem aumentado a fiscalização nas ruas, ontem à tarde o centro de Londrina seguia abarrotado de mototaxistas autônomos, trabalhando longe das Centrais. ''Temos um efetivo pequeno, mas fazemos o possível. Nesta semana, estamos com dois agentes de fiscalização no centro com o dever exclusivo de vigiar mototaxistas'', afirma Álvaro Grotti Júnior, diretor de trânsito da Companhia. Desde o início do ano, mais de 70 mototaxistas foram notificados em Londrina.
Grotti explica que a CMTU deve fechar ainda nesta semana um recadastramento das Centrais de mototáxi, que, a partir de um cruzamento das fichas dos 850 mototaxistas registrados no município, deve determinar quem está irregular. ''Já apuramos que cerca de 20 mototaxistas estão atuando fora das Centrais'', diz o diretor.
A presidente da Associação dos Mototaxistas de Londrina, Edimara Adolfo Oliveira, afirma que a fiscalização da CMTU está deixando a desejar. ''Fui hoje (ontem) ao centro e vi os mesmos mototaxistas atuando na rua. Parece que esta questão não está sendo levada a sério'', diz ela, que informa que amanhã, às 16h30, os mototaxistas devem se reunir na Câmara de Vereadores para discutir o assunto.
O mototaxista Everaldo Silva, um dos fundadores da cooperativa Cooper Moto Táxi, é um crítico ferrenho do modelo das Centrais. ''Quando começou aquela movimentação dos mototaxistas, os donos das Centrais fizeram um baita lobby para que o seu sistema se tornasse o único. Sugiro que os dois modelos (Centrais e com pontos na rua) funcionem simultaneamente. Vou conversar com o poder público sobre isso'', diz Silva. Ele afirma que, caso não seja atendido pela CMTU, pretende entrar na Justiça para que o modelo de cooperativas seja reconhecido.


