Mototaxistas agora querem se reunir com Nedson
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segunda-feira, 31 de março de 2003
Fábio Galão<br> Reportagem Local 
Terminou ontem o prazo dado pela Associação dos Mototaxistas de Londrina e por donos de centrais de mototáxi para que a Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) intensificasse a fiscalização contra os trabalhadores que atuam irregularmente nas ruas de Londrina. O grupo de descontentes havia decidido na semana passada que na segunda-feira, após o fim do ultimato, procuraria diretamente o prefeito Nedson Micheleti (PT) para discutir o problema.
Entretanto, o prefeito viajou para Curitiba ontem e só estaria de volta à noite. Os mototaxistas das centrais desejam resolver a questão ainda esta semana, pois temem que muitos motoqueiros irregulares comecem a atuar nas ruas, devido à Exposição Agropecuária e Industrial. ''Não abrimos mão de falar com o prefeito. Londrina continua sem a fiscalização adequada'', disse a presidente da associação, Edimara Adolfo Oliveira.
''Os mototaxistas querem falar com o prefeito com ou sem hora marcada'', afirmou o vereador Sidney de Souza (PTB), que apóia as centrais. A sua intenção é agendar encontro com Nedson para hoje. Por lei municipal, mototaxistas não podem fazer ponto nas ruas. Os motoqueiros nesta situação alegam que não trabalham nas centrais porque as diárias, que chegam a R$ 7, são caras.
Agora a polêmica parece ganhar cores políticas, já que os mototaxistas da cooperativa Cooper Moto-Táxi, que trabalham nas ruas, planejam requisitar o apoio de outros vereadores. ''Também queremos uma representação política. Nas últimas duas reuniões de mototaxistas, não nos deixaram entrar'', reclamou Sebastião Ferreira dos Santos, um dos líderes da cooperativa.
Ontem, o vereador Henrique Barros (PDT) procurou membros da Cooper para oferecer apoio. ''Trata-se de uma questão delicada, pois existe a lei que proíbe a atuação de mototaxistas nas ruas. Mas entendo que a cobrança de diárias pelas centrais é algo questionável. O motoqueiro tem que fazer quatro corridas para começar a ter lucro num dia de trabalho'', disse o vereador.
Barros afirmou ser a favor de ''uma discussão aprofundada'' e que buscará uma ''flexibilização'' do regimento dos mototaxistas. ''Não vejo mal em se permitir o estabelecimento de pontos nas ruas, com a separação de uma área por uma faixa, algo assim, mas que tudo seja organizado para que eles (os mototaxistas) não fiquem espalhados pela cidade'', argumentou. ''A discussão está sendo feita apenas pelas centrais. Sinto que os outros motoqueiros não estão tendo representação.'' O vereador deve se reunir com representantes da cooperativa amanhã.
O presidente da CMTU, Wilson Sella, disse ontem que não se sentiu ofendido pelo fato de os mototaxistas estarem ''pulando'' a companhia, que sempre tratou da fiscalização, ao procurarem diretamente o prefeito. ''Não há problema algum, eles (os mototaxistas) têm o seu direito. Mas nunca deixamos de fiscalizar'', reafirmou.


