Mototaxista passa de vítima a suspeito
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terça-feira, 15 de junho de 2004
Adriana Savicki<br> Reportagem Local 
Há três meses, quando ladrões armados levaram sua moto, Fabiano Silva, 25 anos, nunca imaginou que fosse ver o veículo novamente. Contrariando as estatísticas, ele conseguiu recuperar partes da motocicleta em oficinas clandestinas da cidade e montou-a novamente. Além do prejuízo, de vítima ele passou a suspeito, corre o risco de ser indiciado e não consegue regularizar o veículo, que continua constando como roubado nos arquivos da polícia.
Segundo ele, um conhecido reconheceu a parte traseira da moto, um modelo Titan azul, em uma loja de peças da periferia. Ele disse que negociou e conseguiu comprar de volta por R$ 200. Colocando amigos para procurar o resto, ele achou a parte dianteira do veículo por R$ 300. ''Deu um trabalhão achar os pedaços por aí, tive que comprar outras peças, sei que no fim gastei quase R$ 1,1 mil'', afirma.
Com a moto inteira pronta, ele tentou dar baixa na comunicação de roubo e passou a ser suspeito já que se recusou a denunciar os atravessadores de quem comprou as peças. ''Não posso falar, isso é uma rede de pessoas e vou mexer com muita gente. Se fizer isso, corro risco de vida'', argumenta.
Mesmo sem regularizar a situação do veículo, ele continua trabalhando. ''Não tem jeito, sou comerciante mas faço trabalho de mototaxista para ganhar um troco a mais, tenho seis filhos e todo dia são seis litros de leite que a polícia não vai trazer para mim'', pondera. Ele afirma que tenta resolver a situação há dois dias. ''Estou correndo risco; para a polícia a moto está roubada e posso ser até baleado'', diz.
O delegado-adjunto da 10 Subdivisão Policial, Jorge Barbosa, argumenta que a história de Silva está mal contada. ''Ele não quer dizer onde comprou, não apresentou nota fiscal, afirma que ele sozinho montou a moto. Ele nem é mecânico, para mim ele está sob suspeita e essa história é muito fantasiosa'', afirma. Segundo ele, a moto só será liberada depois de passar por uma perícia que confirme a remontagem.
Segundo Barbosa, caso a investigação não comprove o relato de Silva, ele pode ser indiciado por falsa comunicação de crime. ''As pessoas usam muito a polícia, tem gente que aplica o golpe do seguro, outros que usam veículo para crime, temos que endurecer''.


