Motos usam pedágio particular em Jataizinho
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sexta-feira, 11 de março de 2005
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
Motociclistas que utilizam a BR-369 em Jataizinho (21 km a leste de Londrina), na altura do pedágio da Econorte, não pagam a tarifa de R$ 3,80 cobrada na praça da concessionária instalada no município. Há pelo menos dois anos e meio, eles utilizam um pedágio particular improvisado em uma propriedade particular que cobra uma ''tarifa'' bem menos salgada: apenas R$ 1,50. Quem usa o caminho alternativo alega que o preço cobrado é justo e bem mais justo que o oficial, o qual consideram abusivo.
A cancela de pedágio particular fica há poucos metros da praça da Econorte, na margem da pista para quem segue no sentido de Cornélio Procópio. O funcionário contratado pelo dono da propriedade para cuidar da ''praça'', que tem até cobertura e placa com o preço, contou à reportagem que permanece no local das 6h30 da manhã até às 19h30 e o movimento é constante. Mais de 50 motos passam pelo local diariamente. Por mês, a arrecadação ultrapassa os R$ 2,7 mil. ''Policiais e até os funcionários da Econorte passam por aqui porque eles também teriam que pagar o pedágio mais caro'', garantiu ele sem se identificar.
Com 74 anos, 37 vividos dentro de uma cabine de caminhão como motorista, o senhor viu na ocupação uma das únicas chances de garantir o sustento da mulher e quatro filhos pequenos. De aposentadoria, recebe miseráveis R$ 260,00 mensais e ainda luta para conseguir quitar as prestações da casa própria, que ainda não conseguiu quitar. ''Sem isso, já tinha morrido de fome'', revelou ele que ganha R$ 20,00 por dia e já sofreu até assalto à mão armada enquanto trabalhava.
O aposentado disse desconhecer se a função que exerce é crime ou ilegal mas a seu modo argumentou que a demanda em sua ''praça de pedágio'' se sustenta por dois motivos: porque o preço da tarifa cobrado pela Econorte é considerado caro e porque os salários que os motociclistas ganham não suportam mais este gasto. ''Todo mundo que passa por aqui é trabalhador. Tem coitadinho que pede até desconto para passar porque se não passasse por aqui não tinha como pagar o que é cobrado no pedágio'', comentou. ''Tem que ter alguém peitudo para abrir também uma passagem para carros porque o governador prometeu que ia acabar com os pedágios mas até agora nada'', completou.
Quem usa o pedágio particular faz coro com o aposentado. Mototaxista em Andirá, Tiago Ramos, de 20 anos, afirmou ter pago pedágio apenas duas vezes. ''Até gosto de passar por aqui, porque é um favor que estou fazendo para ele (para o aposentado)'', apontou o mototaxista, enquanto tomava um copo de água servido pelo aposentado. Um outro motociclista que mora em Assaí mas trabalha em Jataizinho foi mais contundente: ''o pedágio não é errado. O preço que eles cobram é que absurdo'', reclamou.
A direção da Econorte afirmou ter tomado conhecimento do fato através da reportagem da Folha e que iria averiguar a situação antes de se posicionar sobre o assunto.


