A GM (Guarda Municipal) de Londrina vem intensificando a fiscalização contra a poluição sonora na cidade. O Grupamento de Trânsito realizou, na noite da última quinta-feira (11), a primeira etapa da Operação Patrulha do Sossego em dois pontos estratégicos, tendo como alvos as motocicletas com escapamentos irregulares e excesso de ruídos. As próximas ações estão sendo estudadas pela Secretaria Municipal de Defesa Social. Munícipes de diversas áreas reclamaram de situações recorrentes à FOLHA, zelando pelo anonimato por medo de retaliação.

Conforme o secretário da pasta, Felipe Juliani, a iniciativa partiu de demandas da população via 153 ou redes sociais, com solicitações de “uma patrulha específica para combater essa barulheira que as ‘motocas’ fazem na cidade, não só motos, mas também outros veículos".

De acordo com o órgão municipal, a GM recebe denúncias quanto a ruídos veiculares de diversos pontos da cidade, exemplificando as regiões leste e sul - com destaque para a Gleba Palhano.

Arredores do Lago Norte

Uma moradora do Conjunto Milton Gavetti, região norte, contou que sofre há anos com motoristas, de carros e motos, nos arredores do Lago Norte, com escapamento adulterado e som alto. Disse que já pediu educadamente para que fizessem menos barulho, mas foi ameaçada e desistiu.

“Acontece todos os dias, com intensidade maior aos fins de semana, quando ficam a madrugada toda. Estão sempre em grupos fazendo arruaça”, informou. Segundo a mulher, o barulho é alto suficiente para “tirar o sono e a paz” dos moradores, contando que passa noites em claro com “nervosismo e medo de ameaças”.

A moradora explicou que a polícia já foi chamada várias vezes para atender as ocorrências, mas que “a viatura nem aparece no local”. “Quem liga pra fazer a denúncia tem que sair do endereço na hora e representar, para eles (policiais) poderem abordar. É isso que eles falam na ligação quando solicita uma viatura, então (o morador) acaba desfazendo a denúncia na hora mesmo, porque o pessoal tem medo. Como vai representar? Vão ver a pessoa saindo da casa e onde ela mora, infelizmente, são pessoas na grande maioria de má índole, então o pessoal fica com medo”, afirmou.

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‘Rua do grau’

Outro ponto alvo de reclamações fica na zona oeste, especificamente, a Rua João Medeiros da Costa, próxima à sede da PRF (Polícia Rodoviária Federal). Um morador da região contou que a via é conhecida como “rua do grau”, por receber carreatas de motocicletas todos os domingos.

“Começa às 15h, são mais de 50 motos, várias sem placas, sem retrovisor, uns (motoristas) sem capacete empinando com moto cabrita”, ou seja, adulterada. O homem informou que muitos condutores são menores de idade. “Se bate em um carro ou atropela uma criança, como fica? Motoqueiro 'de menor', motos sem documento e placa, nós vamos recorrer a quem?”, indagou.

Na região central

Já na região central, na Rua Paranaguá, uma analista de marketing relatou que é muito comum ouvir o som de motocicletas em dias de semana, geralmente a partir das 20h.

Moradora do 9° andar, contou que o ruído é “bem alto mesmo”. “Se do meu apartamento eu escuto alto, fico imaginando que para quem está no nível da rua é mais barulhento ainda. Às vezes estou quase pegando no sono e acabo acordando no susto quando escuto”, relembrou.

Guilherme de Almeida

A operação realizada pela GM na última quinta, na avenida Guilherme de Almeida (zona sul), resultou em 35 autos de infração de trânsito pelo flagrante de diversas irregularidades, como problemas na documentação e alterações no escapamento que deixam o veículo mais ruidoso. “Tivemos um volume de apreensão de veículos razoável, foram 11 encaminhados ao pátio da CMTU (Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização)”, pontuou Juliani.

Cinco autos de infração foram aplicados conforme a Lei Municipal nº 13.289/2019, que institui o controle da poluição sonora veicular. Segundo o documento, “fica proibida a emissão de ruídos por quaisquer acessórios, dispositivos, equipamentos ou componentes de veículos automotores, em infração às normas e condições estabelecidas nesta lei e nas demais legislações de trânsito e ambientais em vigor”.

O limite máximo para ruídos veiculares, sendo por escapamento barulhento ou som automotivo, é de 85 dB (decibéis) em vias públicas até às 22h, número que vai reduzindo conforme a passagem das horas. Se atestada a violação, é aplicada multa de R$ 500. Em caso de reincidência em até 12 meses, o valor é cobrado em dobro.

Imagem ilustrativa da imagem Motos com escapamento adulterado ‘tiram o sono e a paz’ em Londrina
| Foto: Divulgação/Guarda Municipal

Faria Lima

O segundo ponto de bloqueio foi um trecho da Rua Prefeito Faria Lima, zona oeste, no qual nove autos de infração de trânsito foram registrados, com dois veículos removidos ao pátio municipal.

Um segundo condutor tentou evitar a abordagem fugindo em sua motocicleta, porém, colidiu com um veículo parado e foi encaminhado à Central de Flagrantes. Ele também pilotava na contramão e não possuía CNH. As fiscalizações nas áreas contaram com auxílio de decibelímetros.

Próximas ações

Juliani informou que novas operações serão realizadas em pontos “que estão trazendo transtornos para a comunidade”, com base em um mapeamento estratégico montado pelo Grupamento de Trânsito da GM. Diversos locais já estão definidos, com a estruturação para colocar as ações em prática a depender da disponibilidade da equipe em se reunir.

É possível que a próxima blitz também seja promovida em dois pontos simultaneamente. Por estratégia de segurança, a Secretaria não irá divulgar as datas e lugares escolhidos.

Denúncias

Londrinenses podem denunciar a perturbação do sossego público à Central de Comando e Controle da Guarda Municipal e pelo telefone de emergência 153.

(Com N.Com)

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