Paz, tranquilidade e a beleza da paisagem são alguns dos atrativos que levam praticantes de atividades físicas e de meditação a escolher o palco flutuante do Lago Igapó 1 para exercitar a mente e o corpo. No entanto, o sossego vem sendo quebrado pelo vai e vem das motos aquáticas. Cena comum não fosse o excesso de velocidade, inclusive com crianças, e a realização de manobras perigosas. O fetiche exibicionista ocorre literalmente em frente à base da Marinha do Brasil.

A unidade militar instalada há quatro meses no prédio à margem do lago, antes utilizado pela Guarda Municipal, não parece intimidar os condutores mais imprudentes. No fim de semana dos dias 23 e 24, enquanto alguns praticavam manobras proibidas próximo à barragem e aos atracadouros, outros mais audaciosos faziam o “zerinho” e passavam deitados nas motos aquáticas para chamar a atenção de um grupo de mulheres que se exercitava no palco flutuante, ao lado da base da Marinha.

Imagem ilustrativa da imagem Motos aquáticas desafiam a Marinha no Lago Igapó
| Foto: Celso Felizardo

Frequentadores reclamam de impunidade

A reportagem conversou com alguns frequentadores do lago, que, sem se identificar, reclamaram da impunidade. “Eu realmente achei que a presença da Marinha iria inibir essas atitudes aqui, mas pelo jeito não vai mudar nada”, disse uma mulher que passeava pelo lago e se indignou com a cena. “Tem alguns que respeitam as regras, mas tem outros que passam ‘voando’, ficam acelerando, fazendo ‘graça’. E o pior é que carregam até crianças”, queixou-se outro caminhante.

O que dizem as regras para uso das motos aquáticas

A utilização de motos aquáticas no Brasil é regulamentada pela Capitania dos Portos, conforme as Normas da Autoridade Marítima para Embarcações de Esporte e Recreio (NORMAM-03/DPC). Para pilotar, é obrigatório possuir a Carteira de Habilitação de Amador (CHA) na categoria Arrais-Amador ou superior.

As normas também proíbem navegar em alta velocidade em áreas próximas às margens, praticar manobras de risco, circular em locais destinados a banhistas e operar sob efeito de álcool. Além disso, o uso do colete salva-vidas é obrigatório para condutor e passageiro.

Atuação do posto avançado em Londrina

O posto avançado da Marinha em Londrina é uma extensão da Capitania Fluvial do Rio Paraná e da Delegacia Fluvial de Guaíra. Ele atende 123 municípios do centro-norte do estado, oferecendo serviços como emissão e renovação de documentos náuticos (Carteira de Habilitação de Amador, Título de Inscrição de Embarcação), fiscalização de embarcações e operações de busca e salvamento.

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| Foto: Celso Felizardo

Fiscalização flagra irregularidades

Por meio de nota, a Marinha do Brasil informou que vem atuando de forma contínua na fiscalização do Lago Igapó. Essas ações, segundo a instituição, incluem inspeções navais no Lago, aos finais de semana, e vistorias nas embarcações junto ao Iate Clube de Londrina, sempre voltadas à segurança da navegação e à preservação da vida humana no meio aquático.

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| Foto: Divulgação/Marinha do Brasil

No fim de semana dos dias 23 e 24, três militares participaram da fiscalização no Lago e no Iate Clube. “Foram realizadas abordagens em 14 motos aquáticas, sendo uma delas autuada pelo fato de seus ocupantes não estarem utilizando coletes salva-vidas”, informou a nota.

Marinha pede colaboração da comunidade

A Marinha ressaltou que a fiscalização, embora constante, não é suficiente para eliminar condutas imprudentes. O uso de motos aquáticas, segundo o órgão, exige não apenas o cumprimento das normas de segurança, mas também conscientização e responsabilidade individual por parte dos condutores.

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| Foto: Divulgação/Marinha do Brasil

A instituição também destacou a importância da colaboração da comunidade e da imprensa. A orientação é que pessoas que presenciarem práticas de risco ou desrespeito às regras de navegação registrem a ocorrência por meio de fotos ou vídeos e encaminhem as denúncias à Delegacia Fluvial. Esse apoio, afirma a nota, fortalece a capacidade de atuação da Marinha e contribui diretamente para a redução de acidentes, em especial envolvendo crianças e frequentadores do Lago.

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Ao concluir, a Marinha reafirmou seu compromisso com a segurança da navegação e fez um apelo para que todos os condutores respeitem as normas, garantindo que o Lago Igapó continue sendo um espaço de lazer seguro para a comunidade.

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