Motoristas que trafegam pela região Noroeste voltaram a utilizar antigas rodovias com deficiências de sinalização, falta de acostamento e pista simples. O objetivo é evitar as praças de pedágio construídas em Presidente Castelo Branco e Marialva, na região de Maringá. Até mesmo a PR-444, que liga Maringá a Londrina, inaugurada no final de 1990 com boas condições de tráfego e com pista dupla está sendo ignorada por boa parte dos motoristas.
As rodovias preferidas agora são a PR-317 e PR-218, que passam por Iguaraçu, Astorga e Arapongas. Desde anteontem, o trânsito neste trecho aumentou cerca de 100% de acordo com o comando do posto da Polícia Rodoviária de Iguaraçu (34 km ao norte de Maringá).
Marcos NegriniRevoltaTorres: ‘‘A cobrança de pedágio é um roubo porque já pagamos IPVA
‘‘Não posso afirmar que é por causa do pedágio, mas houve um aumento de veículos de aproximadamente 100% neste trecho’’, diz o comandante da Polícia Rodoviária, Renato Cecy Kaviski. Os próprios motoristas que estão utilizando as rodovias alternativas admitem que houve um aumento significativo de tráfego desde terça-feira.
‘‘Acredito que como eu, a maioria esteja preferindo viajar por estas rodovias para não pagar pedágio’’, disse o motorista autônomo Júlio César Torres, 28 anos. Ele explica que faz uma viagem todos os dias de Londrina a Maringá transportando gás. ‘‘Acho a cobrança de pedágio um roubo porque já pagamos IPVA, que é usado para a manutenção das estradas’’, diz.
Segundo Torres, a PR-218, no trecho entre Iguaraçu e Arapongas, é ‘‘muito ruim’’. Além da falta de acostamento, a rodovia é mal sinalizada e com muitas curvas perigosas. ‘‘Mesmo assim, compensa porque se tiver que pagar os dois pedágios, o de Marialva e o de Arapongas, que está sendo construído, vou ter que parar de trabalhar com frete’’.
Marcos NegriniLucro irrealSantos: economia de R$ 6,40 toda as vezes que viaja para MaringáQuem faz o trajeto Maringá/Paranavaí também está evitando a BR-376 para não pagar pedágio na praça de Presidente Castelo Branco (26 km a noroeste de Maringá). As opções também, neste caso, são as PR-218 e PR-458, que vão de Iguaraçu a Paranavaí, passando por Atalaia.
O empresário Hamilton dos Santos, 24 anos, mora em Nova Esperança, mas viaja para Maringá com frequência e diz que prefere as rodovias alternativas. Ontem, por exemplo, ele voltou de Maringá pela PR-218, passando por Ângulo e Atalaia.
O trajeto escolhido por Santos é cerca de 25 quilômetros mais distante do que o caminho feito através da BR-376. ‘‘É um pouco mais longe, mas em compensação economizo R$ 6,40 todas as vezes que vou e volto de Maringᒒ, diz. Ele afirma que faz este tipo de viagem ‘‘quase todos os dias’’. ‘‘Tem semana que vou a Maringá de segunda a sábado, já imaginou se tivesse que pagar pedágio todas as vezes? ’’, indagou.

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