Na contramão da legislação de trânsito e de uma convivência pacífica, motoristas que circulam pela Avenida Santos Dumont, no trecho que dá acesso ao Aeroporto de Londrina (Zona Leste), estão tirando a paz dos pedestres que usam a Praça Nishinomyia para fazer caminhadas no início da noite. Quem frequenta o local garante que os condutores, alguns deles seriam taxistas, aproveitam a sinalização deficiente e chegam até a disputar ''rachas'', alheios ao risco de se envolverem em acidentes graves.
Na semana passada, o publicitário Antônio Aparecido da Silva, escreveu uma carta para o ''Espaço do Leitor'' da FOLHA alertando sobre o problema e reclamando da falta de fiscalização. ''Ao retornarem para o Aeroporto em horários de pico, os taxistas passam pela praça em alta velocidade colocando em risco a vida de jovens, crianças e idosos'', escreveu. Procurado pela reportagem, ele revelou que chegou a medir com seu carro a velocidade de outros condutores e ficou ainda mais preocupado. ''Naquele espaço entre o final da J.K. até o Aeroporto, os motoristas chegaram a 70 km/h, alguns até 80 km/h'', garantiu, lembrando que o limite máximo na avenida é de 50 km/h.
Assim como ele, outros frequentadores também criticaram o desrespeito às leis de trânsito. O administrador de empresas Marcelo de Assis, que faz caminhadas há três anos na praça, disse que já presenciou ''confusões no trânsito'' por causa da alta velocidade. ''Os motoristas têm que considerar que a praça é um espaço de lazer e que costuma ter crianças jogando bola, brincando perto da calçada'', comentou. O funcionário de um trailer de lanches, que não se identificou, revelou que já presenciou ''rachas'' entre taxistas, que disputavam o ponto no Aeroporto.
Em suas caminhadas diárias, o bombeiro Antônio Carlos Fornazieri também percebeu que o limite de velocidade é facilmente desrespeitado. ''O pessoal realmente abusa da velocidade, tanto de carro quanto de moto. Falta um pouco mais de consciência, porque o limite de velocidade é o suficiente'', apontou. Ele avaliou que o problema tem relação com a pouca sinalização. No trecho, a reportagem constatou que existem apenas poucas placas indicando o limite de velocidade.
Pelo lado dos motoristas, o taxista Marcos Lopes, que trabalha há 10 anos no Aeroporto ''e nunca se envolveu em um acidente'', rebateu as críticas afirmando que quem dirige não tem como exceder a velocidade permitida porque a via não permite. ''O movimento de carros é constante'', alegou. Ele afirmou ainda que os clientes, mesmo aqueles com pressa, não permitem manobras arriscadas. ''O passageiro quer agilidade mas sem risco. A gente tenta agilizar mas com prudência'', continuou.
Hirak Ohara, do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina (Ippul), informou que não há projetos em andamento para o trecho mas que faria uma avaliação para definir futuras melhorias na sinalização. A FOLHA procurou o diretor de Trânsito da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), Álvaro Grotti Júnior, mas ele estava em uma reunião na Prefeitura.

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