Os menores R.M.N., 17 anos, e S.S.L., 16 anos, foram presos na quinta-feira na favela da Vila das Torres (antiga Vila Pinto), em Curitiba, poucos minutos depois de assaltar e fazer refém Dalvini Liedo Ikeda, que passava em um Gol pelo local. Esse tipo de crime, cada vez mais comum, está fazendo com que as pessoas tomem mais cuidado ao andar de carro nas proximidades da favela. O comerciante Sérgio Kanzler, 40 anos, conta que sabe que a região tem muitos assaltos. Kanzler diz que procura andar sempre de vidros fechados, e não pára em semáforos depois que escurece. Outro comerciante que passava pelo local, Alexandre Kalestiuk, 38 anos, disse que por não ter como fazer outro caminho para trabalhar, se sente presa fácil dos bandidos. ‘‘Se eu sentir que vou ser assaltado prefiro causar um acidente tentando fugir do que me deixar apanhar.’’
Ikeda foi abordado por volta das 15 horas quando parou em um semáforo. Segundo alguns policiais, esse tipo de crime é uma rotina no local e está sendo realizado por delinquentes que moram na favela ou nas redondezas. Eles estariam se aproveitando do trânsito pesado e lento da Avenida das Torres, da Rua Guabirotuba até a Brasílio Itiberê (nas proximidades da Igreja Pentecostal Deus é Amor) para escolher suas vítimas. ‘‘Temos muitos trabalhadores morando na favela, mas como em todo lugar temos alguns delinquentes que merecem vigilância’’, disse um policial que não quis se identificar.
Segundo esse mesmo policial, um dos únicos fatores que ainda inibem a ação dos bandidos é o posto da Polícia Militar que funciona ao lado da favela. ‘‘Só conseguimos prendê-los durante o assalto porque os policiais que estavam de serviço no posto da favela desconfiaram da movimentação e decidiram abordar o carro’’, disse.
Outro policial disse que a fixação das viaturas nos tótens está favorecendo o aumento da criminalidade, porque diminuiu as rondas. ‘‘Agora temos que ficar parados de plantão em um lugar fixo, enquanto os marginais deitam e rolam à nossa volta’’, reclamou.
Ikeda foi feito refém, com uma faca, a cerca de 200 metros do posto policial e levado para o interior da favela onde os dois menores roubaram sua jaqueta de couro e R$ 23,00. Quando os dois se preparavam para deixar o local com o carro e o motorista os policiais apareceram. Nesse instante os dois menores tentaram fugir a pé pela favela, mas foram presos e encaminhados para a Delegacia de Proteção ao Menor.Mauro FrassonO comerciante Alexandre Kalestiuk diz que se sente presa fácilGuilherme Vieira

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