Motoristas têm até fim do mês para adequar engates
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quarta-feira, 17 de janeiro de 2007
Vanessa Navarro<br>Reportagem Local 
O prazo para que os motoristas se adequem à resolução 197 do Conselho Nacional de Trânsito (Contran), que normatiza a utilização do engate de reboque nos veículos, está se esgotando. A partir do próximo dia 30, quem for flagrado em desacordo com as regras será multado e terá o carro retido.
Entre os fatores que motivaram as mudanças, estão os acidentes com pedestres - que frequentemente se machucavam ao encostar no dispositivo - e os riscos em caso de colisão, na qual o impacto pode ser maior com o engate. O sistema é largamente adotado por motoristas que não utilizam reboque, mas querem proteger os próprios veículos contra batidas traseiras, garantindo uma distância maior.
A resolução entrou em vigor em julho do ano passado, mas deu seis meses para que os usuários se adequassem. Segundo o comandante interino da 2 Companhia de Trânsito (Ciatran) de Londrina, tenente Fernando Bonifácio Ferreira, nesse período os motoristas foram apenas ''orientados'' sobre as novas regras. Com o fim do prazo, a inadequação será taxada como infração grave e renderá multa de R$ 127,69 e perda de cinco pontos na carteira de habilitação, além da retenção do veículo para regularização.
''Não tomamos conhecimento de acidentes ou danos recentes ocasionados pelo engate em Londrina, mas a resolução é nacional e vem corrigir o desvio de finalidade do dispositivo. Muitos motoristas o instalam pensando em evitar colisões, mas podem acabar sendo prejudicados'', explicou o tenente. Ele frisou que as adequações não são necessárias para quem adquiriu veículos com engate original de fábrica.
As novas regras já provocaram uma correria às lojas especializadas. Fabrício Barros, gerente de uma fábrica e instaladora de engates em Londrina, contou que está colocando até 20 capas de engate por dia, quando o número não passava de três antes das regras virem a público. ''Ao mesmo tempo, o número de pessoas querendo instalar um dispositivo novo caiu uns 80%. Elas ficaram inibidas com a resolução'', disse.
Segundo Fabrício, as principais exigências impostas pelo Contran são o uso de capa protetora de engate arredondada, para evitar cortes e arranhões, a instalação de tomada de ligação elétrica e a colocação de gancho adequado. ''Ainda há muita confusão sobre o assunto. As pessoas têm nos procurado achando que precisam instalar uma corrente no engate, por exemplo, e que vão levar multar se não tiverem. Nada disso. É só o gancho.''
O gerente frisou também que as lojas ainda não podem fornecer a chapa com nome da empresa e CNPJ, entre outras informações exigidas na resolução. ''Dependemos das montadoras, que têm até julho para mandarem o manual dos veículos com especificações para o engate. Depois disso, nós temos prazo de mais um ano para nos adequar'', assegurou.
Um novo engate já em conformidade com a lei custa a partir de R$ 155,00, mais R$ 30,00 da instalação elétrica (feita em outro local), de acordo com Fabrício. Já quem deseja apenas se adequar pode desembolsar em torno de R$ 45,00 para o design mais simples, além do custo do eletricista.
O feirante Tony Koike levou o carro para efetuar as mudanças e ficar livre de possíveis multas. Usuário diário do reboque para carregar os produtos da feira, ele disse não concordar com as exigências. ''Não achei necessárias. Nunca me machuquei com engates e acho que se era essa a finalidade, não mudou muita coisa.''


