Cansados de esperar por uma solução para a ponte que liga os distritos de Triolândia, em Ribeirão do Pinhal (57 km a oeste de Jacarezinho) e São Francisco do Imbaú, em Congonhinhas (55 km ao sul de Cornélio Procópio), os moradores improvisaram uma passagem para os carros. A cabeceira da ponte está caída desde 1997.
A ponte foi danificada por excesso de entulhos acumulados nos pilares, que desviaram o leito do rio para as cabeceiras. Desde então, os moradores improvisaram várias pinguelas para pedestres.
A primeira era do tipo escada. Para atravessá-la era preciso descer um trecho de cerca de 20 metros, e depois subir até chegar ao outro lado. Mais ousado, o segundo improviso permitia que os pedestres atravessassem na altura da ponte, por uma distância de 15 metros de pinguela. A ponte tem 96 metros de extensão.
Há um mês, fazendeiros e comerciantes que utilizam a ponte diariamente ‘‘construíram’’ uma passagem para carros. ‘‘O povo está cansado de esperar. O motorista chega cansado, tarde da noite, a distância entre os distritos que é de 4 quilômetros, com o desvio passa a 70 quilômetros. O jeito é arriscar’’, disse o caminhoneiro Aparecido Lima Goularte, 37 anos.
Segundo ele, há duas semanas, um caminhão quase caiu ao romper as toras de sustentação. ‘‘Ele não caiu por que a traseira ficou presa na parte de concreto da ponte, mas a pinguela não aguentou’’, contou Goularte. Risco de vida já é uma constante na vida dos moradores.
‘‘Eu tenho dois riscos: ou morrer caindo na pinguela ou morrer de fome por não poder trabalhar. Por enquanto, estou preferindo me arriscar’’, disse o leiteiro Jurandir Vasconcelos, 25 anos, que diariamente atravessa a pinguela para entregar leite nos dois bairros, de carroça.
‘‘Eu perdi as contas de reclamações que recebo no meu escritório. Sem contar que não conseguimos obter respostas concretas de ninguém que se responsabilize’’, explicou o vereador do distrito Triolândia, Epinaldo Batista dos Santos (PPB).
A ponte, oficialmente, está localizada na rodovia municipal 501, portanto pertence aos dois municípios de divisa (Ribeirão do Pinhal e Congonhinhas). Em outubro de 1998, o Departamento Estadual de Estradas de Rodagens (DER), encaminhou aos municípios, um projeto de reforma da ponte.
Segundo o engenheiro José Roberto Alves Pereira, da Diretoria de Apoio Rodoviário aos Municípios (DARM), o órgão se responsabiliza pela doação de vigas de concreto e apoio técnico, mas a mão-de-obra e o material de construção, seria por conta das prefeituras.
‘‘Na semana passada estive com o secretário de Transportes e ele me disse que o Estado não tem verbas. Agora você imagina se o município tem’’, justificou o prefeito de Ribeirão do Pinhal, Benedito Antônio Silveira Pinto (PFL).
Segundo ele, o orçamento de limpeza dos pilares da ponte é mais caro do que a reforma. São toneladas de entulhos que foram trazidos pelo rio ao longo dos anos. ‘‘As prefeituras não dispõem de recursos e nem maquinários especiais para efetuar esta limpeza’’, afirmou o prefeito.

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