Os olhos eletrônicos dos videovigias, espalhados em seis pontos da área central da cidade, atestam que um grupo de 50 londrinenses ignora sistematicamente o sinal vermelho nos cruzamentos e coloca a vida de pedestres e motoristas em risco.
Todos os integrantes da lista infrigiram pelo menos cinco vezes o código visual de parar e esperar. O ''campeão'' do desrespeito foi flagrado 10 vezes pelo equipamento. ''São motoristas sem educação, que não têm noção de como esta maneira de dirigir é perigosa'', analisou o presidente da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), Wilson Sella.
O número é uma pequena amostra de como a infração é comum. Contando o nono videovigia que será instalado nos próximos dias (ver quadro), apenas 4,5% dos cruzamentos com semáforo são fiscalizados. ''Imaginem o que estes motoristas aprontam pela cidade'', projetou Sella.
O Departamento de Trânsito (Detran) já está de posse dos boletos e deve aguardar o prazo legal para executar as multas, no valor de R$ 191,54. A infração é gravíssima e gera a perda de sete pontos na Carteira Nacional de Habilitação. Perdendo 20 pontos em um ano, o motorista é intimado a devolver a CNH. Para reconquistá-lo, terá que passar por um processo de reeducação. No caso do recordista, ele perderá 70 pontos, volume suficiente para cassar sua CNH três vezes e meia.
A CMTU se prontifica em divulgar os filmes para os interessados em sua sede. As gravações são feitas sob várias ângulos. Os sensores são instalados na faixa de pedestre e tem tolerância de meio segundo com o sinal apontando a luz vermelha. ''Passar no amarelo não é infração'', esclarece Sella.
Não há planos para que a rede de ''pardais'' cuja locação custa cerca de R$ 2,5 mil mensais por unidade seja ampliada. A Diretoria de Trânsito da companhia deve apostar em outro tipo de equipamento, as lombadas eletrônicas, no próximo ano.
A partir de novembro, o assunto passará por uma discussão técnica para evitar os problemas ocorridos na primeira experiência do município com o equipamento, em meados dos anos 90. ''A tecnologia evoluiu e hoje é possível registrar a infração mais adequadamente.''
A princípio foram mapeados 20 pontos críticos de excesso de velocidade onde as lombadas deverão ser instaladas. Segundo o presidente da CMTU, os critérios para a instalação serão rigorosos porque trata-se de um equipamento caro em média, a locação custa R$ 15 mil por unidade/mês.

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