Motoristas reclamam de indústria da multa
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quinta-feira, 15 de novembro de 2001
Érika Pelegrino<bR>De Londrina 
As multas de trânsito aplicadas pela Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) voltam a gerar polêmicas entre motoristas de Londrina. Em junho, vários reclamaram da dificuldade em recorrer das notificações e a Associação de Defesa dos Direitos do Trânsito acusou a CMTU de promover a chamada ''indústria da multa''. Agora, o médico Lincoln Brazil e Silva e o corretor de café Paulo Gonzaga estão reclamando de multas recebidas por infrações não cometidas.
Os dois foram notificados em 1999. O médico Lincoln Silva afirma que foi multado por falar ao celular enquanto dirigia.''Nem tenho telefone celular'', declara. Ele conta que denunciou a situação, mas a multa continua pendente. ''Agora vou pagá-la por causa do licenciamento do meu carro'', diz. O médico está indignado com a situação.
''Isso é uma indústria da multa. O poder público está roubando o cidadão descaradamente. Eu já expliquei que nem tenho celular. Aos 67 anos não vou ficar mentindo para não pagar uma multa de R$ 86,00'', afirma Lincoln Brazil e Silva. ''Vou pagar a multa mais desonesta, forjada, imoral e ilegal.''
O corretor de café Paulo Gonzaga, 60 anos, também está inconformado com as multas que terá que pagar. Uma por ultrapassar um sinal vermelho, em 1999, e outra por fazer manobras na contramão, em 2000. No primeiro caso ele afirma que, no horário anotado na notificação, sua mulher estava em outro local. No segundo caso, estava viajando.
''As duas multas somam R$ 380,00 e nenhuma das infrações foi cometida'', afirma. ''O que me deixa indignado é o fato de a minha palavra como cidadão não valer nada.'' Gonzaga reclama ainda do fato de o resultado de sua defesa não ter sido comunicado. ''Achava que estava tudo certo, quando na semana passada chega a cobrança da multa. Isso é um roubo'', acusa.
O diretor do departamento de trânsito da CMTU, Álvaro Grotti Júnior, explica que em situações como essas a pessoa deve solicitar um novo prazo para apresentar sua defesa. ''Se for falha nossa (da CMTU), analisamos um novo prazo ou até o arquivamento do processo'', afirma.
Ele diz ainda que ''é muito difícil provar que não cometeu a infração, porque dificilmente o agente de trânsito iria se confundir com o número da placa''. De acordo com o direito da CMTU, quanto à presunção de legitimidade, ''a palavra do servidor prevalece sobre a palavra do particular. Cabe a este inverter o ônus da prova''.


