Em nome de São Cristóvão, agentes pastorais abençoaram dezenas de carros, ontem de manhã, em frente à catedral metropolitana de Londrina. A aspersão da água benta misturou-se às gotas de chuva que cairam sobre o centro da cidade no final da manhã.
Entre os fiéis estava o taxista Luiz Nelson Basseto, 61 anos, e apenas três de profissão. Aos 21 anos, o então comerciário e sua esposa sofreram um grave acidente, em Arapongas (37 km a oeste de Londrina). Na colisão com outro automóvel, Basseto perdeu o pé e parte da perna esquerda, fraturou a direita em várias partes, além de várias escoriações por todo o corpo. ''Estávamos casados há pouco mais de um mês e quase morremos'', lembra. Após esse trágico episódio, a fé de Basseto em Deus aumentou assim como sua devoção. Este é um dos motivos que o leva todos os anos em busca da benção de São Cristóvão, padroeiro dos motoristas.
A auxiliar administrativa Karina Nascimento, 23 anos, cresceu dentro das tradições católicas e, portanto, confia na proteção do santo. ''O roubo do meu carro foi o fato mais grave envolvendo um automóvel na minha família. Felizmente, não havia ninguém por perto e nada de mal aconteceu. Até os prejuízos materiais foram ressarcidos pela seguradora'', comemora a jovem motorista que, normalmente, dirige-se à missa à pé e, ontem, levou o carro apenas para abençoá-lo.
A crença em São Cristóvão assumiu forma na Idade Média, do Ocidente ao Oriente. Conforme a lenda, Óferus ou Réprodo, nasceu em Cananéia (Palestina) e tornou-se um andarilho em busca do rei mais poderoso do mundo. Durante sua vida, serviu a inúmeros reis e até a Satanás e, descobrindo que este temia a Cristo, saiu para alcançar Jesus. Certo dia, à beira de um rio, encontrou um senhor que lhe sugeriu ajudar as pessoas a atravessar o rio onde não havia ponte nem barco para encontrar Jesus.
Passava-se o tempo e nada até que, um dia, uma voz de criança pediu a ele auxílio para transpor a água. Somente no terceiro pedido ele a viu, mas durante a travessia as águas do rio começaram a crescer, a correnteza e o vento ficaram mais fortes e a criança começou a pesar-lhe nos ombros, fazendo com que braços e pernas fraquejassem. Ao comentar com a criança que parecia carregar o mundo às costas, recebeu a resposta de que levava, na verdade, o autor do mundo: Jesus, a quem ele procurava e, de repente, a criança desapareceu. Assim, Cristóvão começou a construção de sua fé, mostrando ao mundo como amar e servir a Cristo. A condução de terceiros e, principalmente, de Jesus, o tornou, daí em diante, exemplo e protetor dos motoristas, lembrado sempre no dia 25 de Julho.

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