Motoristas páram estradas contra pedágio
Motoristas páram estradas contra pedágio
Os caminhoneiros aceitam discutir as tarifas, mas exigem melhorias nas estradas do interior, garante o Sindicato
Daniela Neves
Especial para a Folha
Caminhoneiros ligados ao Sindicato dos Transportadores Rodoviários Autônomos (Sindicam/PR) fecharam ontem algumas praças de pedágio no Estado, atingindo as concessionárias Ecovia, Rodonorte e Viapar. O protesto era para pressionar o governo do Estado para abrir a discussão sobre o aumento no preço do pedágio. Hoje, o secretário estadual dos Transportes, Heinz Herwig, deve se reunir com os manisfetantes.
Segundo o presidente do Sindicam, Diumar Cunha Bueno, os caminhoneiros querem participar das discussões entre governo e concessionárias. A nossa categoria será a mais afetada com possíveis aumentos, por isso é justo que possa apresentar uma proposta com objetivo de diminuir o impacto nos fretes, afirma. O sindicato afirma que a Secretaria de Transportes planeja um reajuste de 70% para os caminhões e 120% para os automóveis. Porém, esses valores são negados pelo secretário Heinz Herwig. (Ver box)
Os caminhoneiros se precipitaram, por que o governo está disposto a conversar para evitar prejuízos aos usuários das estradas, diz Herwig. Ele pretende mostrar aos manifestantes o que vem sendo negociado com as empresas do Anel de Integração. Diumar Bueno, do Sindicam, afirma que os proprietários de caminhões não são contrários a reajustes, mas querem que as empresas realizem benfeitorias, principalmente no interior.
Ecovia - No pedágio da empresa Ecovia, entre Curitiba e Paranaguá, os manifestantes pararam o trânsito nos dois sentidos da rodovia. Perto de 20 caminhoneiros sairam de Curitiba em comboio até o posto do pedágio, em São José dos Pinhais, e às 10h45min bloquearam a estrada, com caminhões e faixas que pediam diálogo com o governo. Às 13h15, duas horas e meia depois do fechamento da estrada, a fila de carros formava sete quilômetros no lado próximo à Curitiba e cinco quilômetros no sentido de quem vem de Paranaguá.
Os manifestantes pretendiam ficar no local, até que o governador fosse conversar. Mais tarde, o procurador jurídico do Departamento de Estradas de Rodagem (DER-PR), Maurício Ferrante, negociou a saída dos caminhoneiros.
A Polícia Rodoviária estava liberando as ambulâncias e indicando aos motoristas de veículos leves que fizessem o retorno, antes do congestionamento. Mas no início da fila, motoristas de carros e de ônibus foram pegos de surpresa. Perto de 20 passageiros de um ônibus, que vinha de Paranaguá para Curitiba, abandonaram o veículo, parado na pista há mais de uma hora, e seguiram à pé pela estrada, procurando carona ou outros ônibus que estivessem além do engarrafamento.
Nós somos o Movimento dos Sem Ônibus, ironiza o vendedor Lauro Sérgio Pereira. Desempregado há dois meses, Pereira corria perigo de perder uma entrevista de emprego, marcada para as 15h em uma loja de materiais de construção de Curitiba. Caminhando como em uma passeata, os passageiros estavam dispostos a andar quatro quilômetros até a parada de ônibus mais próxima.
Pela BR-277, no trecho entre Curitiba e Paranaguá, passam cinco mil veíulos por dia, e desses 1,5 mil são caminhões. Nos períodos de safra de soja, o tráfego diário de caminhões chega a cinco mil. A tarifa do pedágio para caminhões, cobrada por número de eixos, varia de R$ 5,00 a R$ 15,00. Se o pedágio aumentar será impraticável rodar pelas rodovias do Anel de Integração, garante Diumar Bueno.(Colaborou Israel Reinstein)





