Motoristas ignoram regras de circulação nas rotatórias
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terça-feira, 10 de novembro de 2015
Antoniele Luciano<br>Reportagem Local
Na teoria, elas são solução para resolver problemas de fluxo de veículos em pontos de grande movimento. Na prática, mais parecem inimigas de motoristas e pedestres. Seja por imprudência ou falta de atenção, o que se vê com frequência em Londrina é um festival de desrespeito às regras de circulação nas rotatórias. São condutores cruzando irregularmente de uma faixa para outra, avançando a preferencial, não guardando distância segura de um carro para o outro e esquecendo de dar seta - situações que também são passíveis de multa.
"Direto relam no meu carro. Vira e mexe também vejo acidentes por aqui. Faltou um pouco de atenção e já temos problema", comenta o segurança Daniel dos Santos Quaresma, de 29 anos, sobre a rotatória no cruzamentos das avenidas Maringá e Castelo Branco, na zona oeste.
E não é só quem está motorizado que tem trabalho para atravessar. Os pedestres convivem com o medo de atropelamentos. É o caso da auxiliar administrativo Paula Regina Pereira da Silva, de 26 anos, que trabalha nas imediações. Mesmo com a campanha "Pé na Faixa", que incentiva o respeito ao pedestre, ela tem que esperar a boa vontade dos condutores para cruzar a rotatórias. "É comum ter que ficar esperando por minutos. Só a faixa não adianta para pedestre. Quando tinha uma viatura da Polícia Militar por perto, o pessoal respeitava mais", pontua.
Na rotatória em frente ao Ginásio Moringão, a situação é semelhante, observa o aposentado Sebastião Xavier, de 70 anos. Para ele, falta educação no trânsito e por isso há tanto desrespeito às regras de circulação nas rotatórias. "Não respeitam nem senhora com o pé inchado querendo atravessar", relata. O personal trainer Leonardo Watanabe, de 25 anos, acredita, por sua vez, que se trata de um problema mais ligado à imprudência. "Não respeitam a preferencial do outro, não colocam em prática o que viram na autoescola", lamenta.
De acordo com o coordenador de Trânsito da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), Carlos Eduardo Ribeiro, a maioria das colisões em rotatórias é causada pelo comportamento imprudente de condutores. Ele assinala que a preferência de passagem é sempre do veículo que já está circulando na rotatória. No caso dos que ainda aguardam para adentrá-la, a vez é de quem está à direita.
Na prática, funciona da seguinte maneira: o condutor que precisa pegar uma saída à direita, por exemplo, não deve adentrar na rotatória pelo lado esquerdo, e vice-versa. Na hora de cruzar de um lado para o outro, há o risco de colidir com outros carros. Segundo Ribeiro, as rotatórias com mais registros de acidentes são as da Leste-Oeste com Dez de Dezembro e com Rio Branco.
Em pontos que receberam semáforos, como as localizadas no final da Avenida Maringá e início da Ayrton Senna, na zona sul, houve uma melhora no tráfego. Ainda assim, a questão não está resolvida, avalia o coordenador. "Tem momentos de estrangulamento do fluxo, mas melhorou bastante em vista do que era. Em tese, não precisaríamos de semáforo porque a rotatória já foi criada para coordenar aquele fluxo", pondera.
Na opinião de Ribeiro, um simples acionamento de seta pelo motorista já ajudaria a amenizar a situação. "Faz muita diferença e deixa mais fácil a circulação. O carro que está esperando já sabe onde o que está vindo vai entrar e se adianta."
Quando o assunto são pedestres, na falta de semáforo, a preferência é sempre deles, por isso a necessidade de manter uma velocidade baixa.
Especialista em trânsito, o major Sérgio Dalben analisa, por sua vez, que é preciso que os dirigentes de trânsito promovam ações de orientação a condutores e pedestres. "São orientações que precisam ser como um complemento às atividades de trânsito. Esses problemas nas rotatórias refletem um pouco do descaso com a área. O cuidado no setor deve ser desde o asfalto até a educação no trânsito", defende, ao lembrar que a questão se tornou pior com o aumento do número de veículos nas ruas. "E se não resolvermos agora, daqui a dois, três anos, será pior ainda", alerta.
A instalação de semáforos em áreas em que há rotatórias depende de projeto do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina (Ippul). Conforme o assessor de Trânsito do Ippul, Alexandre Addário, não há, no momento, projetos com esse tipo de intervenção previstos na cidade. Há, entretanto, proposta para instalação de uma nova rotatória na Avenida Santos Dumont com a Rua Luiz Rosseto. "Para projetar novas rotatórias precisamos fazer toda uma contagem de veículos, para depois aliviarmos o fluxo na hora do rush. O volume de veículos em Londrina aumentou muito e o ideal seria que tivéssemos novos sistemas viários para melhorar o trânsito, como o Arco Leste, que está em licitação", observa Addário.