Lucinéia Parra
De Maringá
A prisão do guardador de carros José Máximo Gimenez, 52 anos, domingo, por ter riscado o carro de um motorista que se negou a pagá-lo, reabre em Maringá a discussão sobre a ação dos chamados ‘‘flanelinhas’’. Os motoristas em geral criticam a proliferação destes ‘‘profissionais’’ e afirmam que a situação está ficando insustentável. Já as polícias Civil e Militar alegam que não podem fazer nada e esperam uma iniciativa da prefeitura.
Nem mesmo depois da instalação dos parquímetros no centro da cidade inibiu a ação dos flanelinhas. Antes da instalação dos equipamentos, o empresário Dennis Cremonesi, diretor da Tecpark – empresa responsável pela instalação e manutenção dos parquímetros –, afirmou que entre as melhorias do novo sistema de cobrança do estacionamento público estaria a redução dos flanelinhas na área central.
Na época, Cremonesi garantiu que os funcionários da empresa habilitados para ficar nas ruas controlando as vagas de estacionamento teriam mais condições de acionar a Polícia Militar em caso de abuso por parte dos flanelinhas. Ontem, Cremonesi se limitou a afirmar que a empresa está estudando um projeto em parceria com a Associação Comercial e Industrial de Maringá (Acim) para coibir a ação dos guardadores de carros no centro da cidade.
De acordo com o delegado adjunto da 9ª Subdivisão Policial, Roberto Fernandes, a Polícia Civil não tem meios para prender o flanelinha. ‘‘Só podemos atuar quando há denúncias dos motoristas e infelizmente as pessoas reclamam muito, mas ninguém registra queixa na delegacia.’’
Segundo o delegado, o caso do flanelinha preso domingo será investigado. Gimenez já foi solto, mas vai responder inquérito. ‘‘Não podemos sair prendendo os flanelinhas só porque eles estão na rua’’, justifica. Conforme o delegado, a ação dos flanelinhas poderia ser controlada através de uma parceria com a Polícia Militar e até mesmo com o setor de fiscalização da prefeitura. ‘‘Todos têm que se envolver no problema.’’
A assessoria de imprensa do 4º Batalhão da Polícia Militar também afirmou que a PM não pode atuar a não ser em casos de denúncias. Na prefeitura, um funcionário do setor de fiscalização, que não quis se identificar, disse que não tem idéia de quem pode controlar a ação dos flanelinhas. O chefe da seção está de férias.
Sem nenhuma fiscalização mais rigorosa, os flanelinhas se proliferam na cidade. Um dos pontos críticos é a Avenida Brasil. Em frente às Lojas Americanas, apenas em uma área de aproximadamente 50 metros, os clientes são disputados por dois flanelinhas.
O aposentado Octávio de Castro, 75 anos, diz que há cinco anos cuida dos carros no local. Ele ganha um salário mínimo de aposentadoria e diz que precisa do trabalho de guardador de carros para complementar a renda. Castro condenou a atitude do flanelinha que riscou o carro de um motorista. ‘‘Eu não obrigo ninguém a dar dinheiro. Só paga quem quer.’’

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