Motoristas escolhem as 'campeãs' de buracos
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segunda-feira, 11 de setembro de 2006
Vanessa Navarro<br>Reportagem Local 
Qual a primeira coisa que o visitante que desembarca no Terminal Rodoviário de Londrina avista? Os buracos da Avenida Dez de Dezembro. Se ele quiser conhecer o Centro Cívico, onde estão os três Poderes na cidade? Terá que desviar dos buracos da Avenida Duque de Caxias. E para fazer compras no Centro? Só passando por cima dos... buracos.
Eles estão em quase todas as vias, cada vez maiores. Além de dificultar o trânsito dos motoristas londrinenses, oferecem um cartão de visitas nada acolhedor para quem vem de fora. A prefeitura põe a culpa na greve dos servidores municipais, que entra hoje no 36º dia. Mas qualquer pessoa que tenha saído de casa nos últimos meses sabe que o problema é bem mais antigo.
A Folha consultou 20 motoristas da cidade, a maioria taxistas que conhecem bem a corrida de obstáculos que os aguarda a cada chamado. Eles elegeram as ruas e avenidas mais esburacadas do perímetro urbano, admitindo que, pegos de surpresa pela enquete, podem ter deixado algumas ''pérolas'' fora da lista.
A ''Cratera de Ouro'' foi para a Avenida Duque de Caxias, que atravessa boa parte do município. A reportagem percorreu a avenida na última sexta-feira e contabilizou 280 buracos, número que pode ser bem superior em uma contagem mais minuciosa. De seu início, na Vila Recreio, até a Avenida Leste-Oeste, são pelo menos 90 buracos; mais 40 até a Avenida JK, quando se torna duplicada; e outros 70 em cada mão, até o final.
A situação é semelhante em outras vias de grande trânsito na cidade, como a Avenida Dez de Dezembro. Ali, recentemente, o dono de oficina Luiz Carlos da Silva experimentou o mesmo problema que leva tantos motoristas a procurarem seus serviços. ''Um carro me fechou e eu não pude desviar de um buraco. Entortou minha roda e estourou o pneu. A cratera tinha uns 20 centímetros de profundidade'', conta. O buraco ainda estava lá, até ontem.
Além do prejuízo de quase R$ 100,00 para consertar o estrago, Silva ressalta o risco que ele e sua família correram. ''Pode acontecer um acidente grave por causa desses buracos. Quando chove, fica ainda pior. O movimento na oficina aumenta bastante'', diz. Ele estima que pelo menos 20 veículos são levados à sua empresa por mês em razão das más condições das vias urbanas.
Taxista há 27 anos, João de Souza ironiza ao citar a Rua Santa Terezinha, na Zona Leste, como uma das piores de Londrina. ''Quando a gente quer saber se o amortecedor de um carro é bom mesmo, manda testar lá'', brinca. Para ele, que também já trabalhou com construção, não há rua que resista a material de baixa qualidade. ''É o asfaltamento que é ruim. A prefeitura utiliza um litro de asfalto para três de pó de pedra, para economizar. Aí, logo cede. O certo seria utilizar a proporção de um por um'', afirma.
O tráfego de veículos pesados também é apontado como causador dos buracos por outro taxista antigo, Santo Tófolo, 76 anos. ''Tem cidade em que é proibido trafegar de caminhão na área central, aqui não. Os ônibus também judiam muito de algumas ruas, como a Sergipe. Além disso, Londrina é muito mal cuidada. A prefeitura começa as coisas e não termina'', reclama.
A reportagem ligou para a prefeitura e para os telefones celulares do secretário municipal de Obras, Aloysio Crescentini, do diretor de pavimentação e do coordenador de obras, mas nenhum deles atendeu. A assessoria de imprensa não retornou o pedido de entrevista até o fechamento da edição.


