Motoristas e cobradores terão 9% de reajuste
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segunda-feira, 13 de junho de 2005
Luciano Augusto e Carolina Avancini<br> Reportagem Local 
O referendo de ontem entre cobradores e motoristas que resultou na aceitação da proposta feita pelas duas empresas que exploram o transporte coletivo em Londrina teve pelo menos duas implicações: por um lado significou uma derrota para o sindicato, que entendia o anuênio como conquista e pretendia explorar politicamente uma possível paralisação; por outro, acelerou a discussão sobre qual será o impacto na tarifa do reajuste de 9% concedido à categoria.
Na votação, 1.273 dos cerca de 1,6 mil trabalhadores opinaram. Seiscentos e noventa votaram pela aceitação da proposta feita pelas empresas de reajuste de 9% nos salários a partir do próximo mês mais participação nos resultados. Com isso, o pagamento de anuênio vinculado ao tempo de serviço deu lugar a uma tabela específica para motoristas e cobradores, cujos percentuais variam entre 15,55% e 840% para motoristas e 15,54% e 480% para cobradores (conforme tempo de serviço). Numa demonstração de quão dividida estava a categoria, 559 trabalhadores votaram contrariamente à proposta e pela greve. Dezessete trabalhadores anularam o voto e sete votaram em branco.
''Os trabalhadores capitularam e acabamos de dar mais um passo para trás'', reagiu o presidente do Sindicato dos Trabalhadores no Transporte de Londrina e região (Sinttrol), João Batista da Silva, ao final da contagem dos votos. ''Se fosse motorista eu encararia a greve porque a proposta do ponto de vista econômico é boa, mas do ponto de vista político, não é'', afirmou, pouco antes da apuração. Para ele, o anuênio era uma grande moeda de troca que foi substituida pela ''vantagem personalíssima'' da participação nos resultados. Silva disse que o usuário do transporte coletivo vai ser impactado por que a tarifa ''é a fonte de custeio das empresas''. ''Temos que achar outra fonte. O ideal seria que ninguém pagasse'', opinou.
Na defesa, o presidente da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), Gabriel Ribeiro de Campos, garantiu que o reajuste negociado não irá repercutir no preço da passagem, reajustada para R$ 1,90 em janeiro deste ano. ''As empresas e o sindicato entraram nessa negociação conscientes da decisão da CMTU de não conceder novos aumentos em 2005. As empresas devem ter previsto o impacto do reajuste dos salários'', afirmou.
O secretário do Sindicato das Empresas de Transporte Coletivo Municipal de Passageiros e de Caracteristicas de Metropolitano de Londrina (Metrolon), Gildamo de Mendonça, não demonstrou a mesma certeza. ''Não sabemos se o reajuste vai refletir na tarifa, mas é evidente que haverá desequilíbrio financeiro para as empresas'', afirmou, acrescentando que o contrato estabelece reajuste da tarifa neste caso. Para evitar novo aumento, a entidade solicitou à CMTU a extinção da taxa de gerenciamento e a isenção do Imposto Sobre Serviço (ISS). Campos confirmou o protocolo do pedido, mas adiantou que é impossível o cancelamento das duas arrecadações agora.
A taxa de gerenciamento, estabelecida em 4% sobre a movimentação das empresas, é utilizada para manter o funcionamento dos terminais e a fiscalização do sistema de transporte. ''Para extingui-la, precisaríamos tirar recursos de outros investimentos'', afirmou. O ISS compõe a arrecadação global do município e não pode ser extinto para não caracterizar renúncia fiscal, que é proibida por lei.


