Os motoristas e cobradores do transporte coletivo de Londrina aprovaram anteontem indicativo de greve com objetivo de reverter 25% de perdas salariais acumuladas desde 2003. As reivindicações incluem 4% de aumento por produtividade, descongelamento do anuênio, fornecimento de tíquete-refeição e reposição da inflação. A categoria terá uma rodada de negociação com os patrões na segunda-feira. Uma assembléia será realizada na semana que vem para definir se a categoria aceita possíveis propostas ou paralisa as atividades.
O presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Rodoviário de Londrina (Sinttrol), João Batista da Silva, critica a ''falta de diálogo'' dos patrões. Para ele, está faltando sensibilidade das empresas na condução das negociações. ''As empresas colocaram um interlocutor de fora da cidade, um advogado de Curitiba, para discutir conosco. Uma pessoa que não conhece a realidade local'', alfinetou.
De acordo com Silva, as mudanças promovidas ''unilateralmente'' pelas empresas nas escalas de trabalho dos funcionários provocaram redução de ganhos com a diminuição de horas-extras e de pagamento de adicional noturno. A formação de uma comissão no ano passado para debater as mudanças não teve resultados práticos. ''As empresas alegam que propiciaram 100 novos postos de trabalho, mas não foram gerados tantos empregos assim. Além disso, o sindicato e os trabalhadores não querem a socialização da miséria'', contestou. O valor do tíquete refeição reivindicado é de R$ 10,00 por dia.
Outra exigência é exclusiva dos funcionários da empresa Transportes Coletivos Grande Londrina (TCGL) sobre os reflexos de horas-extras e adicionais noturnos não pagos por cinco anos. A firma está acertando as contas com 24 funcionários por mês, mas o sindicato está exigindo a quitação da dívida com os 700 motoristas e cobradores que ainda não receberam de uma só vez.
A reportagem fez contato com as empresas na tarde de ontem. A TCGL informou que os membros da diretoria, que poderiam comentar o assunto, estavam viajando. A assessoria de imprensa da Francovig disse que as negociações são recentes e estão sendo conduzidas pelo Sindicato das Empresas de Transporte Coletivo Municipal de Passageiros e de Características de Metropolitano de Londrina (Metrolon).
O presidente do Metrolon, Paulo Bongiovani, disse que a entidade ''não vai medir esforços para fazer o possível para atender o sindicato.'' ''Podemos nos orgulhar de pagar bem os funcionários. Os salários são maiores do que em outras empresas que já concederam aumento'', comparou. Ele afirmou também que as modificações nas escalas que, segundo ele, ''proporcionaram a abertura de 150 vagas'', poderão ser revistas. O salário-base dos motoristas é de R$ 1.077,72. Motorista de microônibus e cobradores recebem, respectivamente, R$ 775,23 e R$ 666,83.
Nova tarifa - A empresa Transportes Coletivos Ltda (TIL), que atende Londrina, Cambé, Ibiporã e Sertanópolis, aumentou ontem o valor da tarifa. O passe subiu de R$ 1,65 para R$ 1,80. Durante toda a tarde, a reportagem entrou em contato, mas nenhum diretor da empresa retornou as ligações.

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