Motoristas desrespeitam ciclofaixas
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016
Aline Machado Parodi<br>Reportagem Local 
O uso da bicicleta como meio de transporte vem ganhando cada vez mais adeptos, mas andar pela cidade de magrela nem sempre é uma tarefa fácil. O ciclista precisa disputar lugar com os veículos e, mesmo em vias que contam com ciclofaixas, o seu espaço nem sempre é respeitado.
A FOLHA flagrou na quarta-feira carros estacionados na ciclofaixa da Rua Alagoas, ao lado do Cemitério São Pedro, no centro. A cena é comum para quem passa pelo local e pode custar ao motorista uma multa, considerada grave, de R$ 127,69.
A Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) tem orientado os motoristas sobre a irregularidade. De acordo o diretor de trânsito, Hemerson Pacheco, placas instaladas nas ruas Alagoas e Espírito Santo informando o horário para o uso da ciclofaixa têm confundindo os motoristas. "A placa não está correta, pois não restringe o estacionamento. Ela foi instalada pela empresa responsável pela obra da ciclofaixa. Já solicitamos que a empresa faça a remoção", explicou.
Apesar de afirmar que "toda pessoa que passou por autoescola tem obrigação de saber que não pode estacionar em ciclofaixa", Pacheco disse que a CMTU está mudando a sua política de autuação, priorizando a orientação antes da multa. "Conversamos com o motorista e, se ele não tirar o carro, então aplicamos a multa."
Este ano já foram aplicadas 30 multas por estacionamento irregular em ciclofaixas e ciclovias em Londrina. O setor de educação no trânsito da CMTU está preparando para este primeiro semestre uma campanha educativa para incentivar o uso da ciclovias e ciclofaixas.
Pacheco concorda que também é preciso fazer um trabalho para mudar a cultura do motorista. "O motorista se considera absoluto no trânsito e essa é uma cultura a ser vencida. A tendência mundial é de priorizar o pedestre e o ciclista", comentou.
O conflito entre carros e bicicletas ainda está longe de ser resolvido, principalmente em cidades como Londrina, em que a estrutura urbana não foi pensada no ciclista. As vias são estreitas e para dar lugar às ciclovias ou ciclofaixas é preciso abrir mão de vagas de estacionamento.
O geógrafo Fábio César Alves da Cunha, professor do Departamento de Geociência da Universidade Estadual de Londrina (UEL), que trabalha com planejamento urbano, afirma que a cultura da bicicleta como meio de transporte ainda é muito nova e é preciso fazer um trabalho de conscientização da população. "As ciclofaixas em Londrina não são as ideais, são muito estreitas, mas como a cidade não foi projetada com vias largas, que permitam a implantação de ciclovias nos canteiros centrais, é o que se pode fazer sem comprometer o fluxo da via", comentou.
Recentemente, Gabriel Barioni de Alcântara e Silva, de 19 anos, decidiu comprar uma bicicleta, mas ele reclama da dificuldade de transitar pela cidade. "O pessoal não respeita a ciclofaixa e estaciona em cima. Aqui na Paranaguá, eles não respeitam o horário e a gente tem que ficar desviando dos carros. Dá até desânimo andar de bike", comentou.
A cidade conta com 33,75 km de ciclovias e ciclofaixas, mas a proposta da rede cicloviária em elaboração pelo Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina (IPPUL) prevê 318,8 km. Na área central, estão implantadas ciclofaixas nas ruas Alagoas, Espírito Santo, Paranaguá e Santos. A Santos foi a mais recente, e ainda está na fase de sinalização.
As ciclofaixas da Santos e Paranaguá funcionam das 7h às 19h, fora deste horário é permitido o estacionamento de veículos. Durante o dia, apenas veículos para carga e descarga podem parar, mediante uma autorização na CMTU.
De acordo com a gerente de Projetos Viários do IPPUL, Cristiane Biazzono Dutra, foi permitido o estacionamento durante a noite para reduzir o impacto na vizinhança. "Já era permitido estacionar ali, então decidimos manter, pois o fluxo de bicicletas ainda é pequeno. Vamos monitorar e, conforme for aumentando o fluxo, poderemos rever o horário", explicou.


