Motoristas de ônibus ameaçam fazer greve
James Alberti
De Curitiba
Os motoristas e cobradores de ônibus de Curitiba e região metropolitana discutem proposta de greve hoje durante uma assembléia, às 20 horas, na sede do sindicato, na Rua Tibagi, centro da cidade. Uma paralisação pode ser deflagrada caso não haja entendimento com o sindicato das empresas de transporte coletivo com relação a reposição salarial. Os trabalhadores querem aumento de 5% e uma cesta básica mensal de R$ 20,00 por funcionário. As empresas do setor têm quase 12 mil empregados.
Ontem o presidente do Sindicato dos Motoristas e Cobradores nas Empresas de Transporte de Passageiros de Curitiba e Região Metropolitana (Sindimoc), Denilson Pires da Silva, chamou a imprensa para comunicar a ameaça aos empresários. Queremos que eles se sensibilizem para que não haja greve, o que não queremos e poderá prejudicar a população, disse.
A resposta dos empresários à pressão foi dura. Acho que esse cara está louco, disparou o presidente do Sindicato das Empresas de Transporte Coletivos, Orlando Bertoldi Júnior. Eu desafio esse sindicato a pôr mil pessoas numa praça, quando a categoria tem 10 mil. O que eles querem? Bertoldi considerou a posição de Pires precipitada. Não há nenhuma proposta. Tudo está em conversação ainda.
Segundo Bertoldi, os empresários não têm nenhum medo de greve. Para impedir uma possível paralisação, o empresário ameaçou dispensar os trabalhadores que ousarem parar o que fere o direito constitucional de fazer greve. Isso (a greve) deve preocupar eles, que correm o risco de perder o emprego à toa, afirmou. No Brasil quem paralisar pode perder o emprego e tem um milhão para pegar a vaga.
Em 1999, os motoristas e cobradores conseguiram 7,14% de aumento, um dos mais altos do País. Conforme Pires, a média de reajuste nacional foi de 4%. A primeira proposta neste ano, disse, foi de 8%. Com as negociações, ela foi reduzida para 5%.





