Motoristas de Foz querem usar armas
Lúcio Flávio Moura
De Foz do Iguaçu
Especial para a Folha
O Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Rodoviário de Foz do Iguaçu está propondo a criação de uma lei que autorize o uso de armas pelos motoristas que trabalham no período noturno. Recente levantamento feito pela entidade indica que 12% dos motoristas de ônibus urbanos de Foz do Iguaçu trabalham portando armas. O índice já chegou a 80%, mas a nova lei sobre porte de armas inibiu bastante o uso, revela Dilto Vitorassi, vereador do Partido dos Trabalhadores que preside o sindicato.
O sistema de transporte coletivo da cidade sofre 26 assaltos por mês, em média. As áreas consideradas críticas pela polícia e pelo sindicato são trechos de ruas escuros e desertos, próximos de favelas à margem dos rios Paraná e Boicy, e na região do Porto Meira (sul) e de Três Lagoas (nordeste).
Nos últimos cinco anos, três motoristas morreram baleados em serviço. Em vinte anos, o número sobe para seis. Sou favorável ao desarmamento, mas o Estado é incompetente para proteger seus cidadãos e o resultado é este, afirma Vitorassi.
O sindicalista defende que os motoristas formem uma categoria profissional que deve ser tratada de forma diferenciada pela legislação e pelos policiais. O ônibus transita em lugares escuros, perigosos. É uma espécie de cofre ambulante à mercê das quadrilhas de assaltantes. É um caso especial e deve ter tratamento especial, sustenta o vereador, que está levando a idéia para deputados estaduais.
Outra sugestão de Vitorassi é a criação de uma ronda especial que use o policiamento no transporte coletivo de duas maneiras. Os dois policiais que estiverem no interior do ônibus, tanto podem proteger motoristas, cobradores e passageiros de assaltos, como podem fazer a ronda em bairros carentes da ação policial, explica.
É uma alternativa a ser estudada, que pode ser aproveitada. O problema é a falta de efetivo para viabilizar esta proposta, avalia Renato Ribeiro Peres, tenente-coronel do 14º Batalhão da Polícia Militar, sediado em Foz do Iguaçu.
O comandante lembra que a PM faz, esporadicamente, blitz nos ônibus. Mas muitos usuários reclamaram deste tipo de ação, alegando que isto atrasa a viagem, conta.
O coronel Peres condena o uso de armas em serviço pelos motoristas. Sem treinamento adequado, a arma pode acabar na mão do bandido, além de ser um risco para os passageiros. A orientação é combater este uso. O motorista que tiver porte, pode ter a arma cassada, e o que não tiver pode ser preso, esclarece.
A Folha ouviu os diretores das quatro empresas que operam o transporte coletivo de Foz. Transbalan, Rafagnin, Itaipu e TSP asseguram que o regimento interno para funcionários proíbe o uso de armas em trabalho, mas admitem que não fazem nenhum controle para combater a prática.





