O que deveria ser local apenas de aprendizado para crianças pode também ser mau exemplo para futuros motoristas - nas saídas de escolas em Londrina a fila dupla de carros se tornou quase rotina, apesar do esforço das próprias escolas em organizar o fluxo de veículos. Além do desrespeito às leis de trânsito e de colocar estudantes em risco, a prática da fila dupla também incomoda vizinhos de escolas, que se dizem lesados no direito de usufruir da rua e entrar ou sair de casa em qualquer horário.
A bancária Mahalia Hadija Mendes Morais é um exemplo de que viver próximo a uma escola nem sempre é sinal de boa vizinhança. Moradora da Rua Pedro Marcos Prado, no Jardim Maringá (Zona Oeste), e vizinha do Colégio Universitário, ela tem horário marcado para enfrentar o que chama de ''desrespeito''. Segundo Mahalia, apesar da rua ter casas onde os veículos saem constantemente, a partir das 12 horas ''ela se torna particular''.
''Os pais param em frente aos portões e não se incomodam se os proprietários querem entrar em suas próprias casas, as vans não respeitam placas de proibido estacionar, e as crianças atravessam a rua como 'loucas', se colocando em risco'', disse, ressaltando que já fez uma reclamação com a coordenação da escola ''há quase um ano'' e nada foi resolvido.
No Colégio Adventista, no Shangri-lá A (Zona Oeste), a direção fez uma área de embarque e desembarque sinalizada com cones, disponibilizou um funcionário para chamar via rádio os alunos para que os pais pudessem rapidamente pegar seus filhos e liberar o trânsito, e mesmo assim há motoristas que ainda insistem em parar em fila dupla.
''A maioria dos pais colabora, mas aqui só vai funcionar quando tiver um guarda fiscalizando'', disse o diretor do colégio, Sonir Brum de Oliveira. Segundo ele, além da opção da área de embarque e desembarque onde os pais não precisam sair do carro, também há a opção de estacionar o carro e descer para buscar o filho. ''Os próprios pais reclamam da fila dupla, mas não querem encostar o carro''.
Segundo o diretor de trânsito da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), Álvaro Grotti Júnior, são realizadas reuniões periódicas com direções de escolas na tentativa de minimizar os problemas de trânsito nos horários de entrada e saída das aulas.
Além de soluções como o escalonamento dos horários de saída, um manual elaborado pela CMTU e pelo Sindicato das Escolas Particular aponta 10 regras básicas para escolher o local onde sediar uma escola, como locais onde não há fluxo grande de comércio, que não tenha fluxo de trânsito de um bairro para outro e que não seja via de transporte coletivo. ''O plano diretor do município prevê que todo pólo gerador de tráfego tem que fornecer local de embarque e desembarque interno, além de vagas de estacionamento, de acordo com a atividade que exerce'', explicou Grotti.
Procurado ontem pela reportagem da Folha, o diretor administrativo do Colégio Universitário, Manuel Machado, disse que ''estranhou'' a reclamação. ''Temos mais de dois mil alunos e essa saída é usada por um número pequeno, cerca de 100. Acredito que tenha acontecido algum incidente isolado'', disse.

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