A caminhoneira Iracema Casagrande, 48 anos, 27 dos quais como motorista, contesta as melhorias feitas na BR-277. ‘‘Isso aqui é maquiagem. Passaram apenas uma massa fina por cima’’, disse, apontando para o asfalto. Iracema diz que a partir de agora vai gastar R$ 2,8 mil só de pedágio entre Foz do Iguaçu e Paranaguá. ‘‘Pelo jeito vamos ter de entregar o outro caminhão para o banco porque não teremos mais condições de pagar a prestação’’, revelou. O financiamento consome R$ 3 mil por mês.
Iracema disse que, se tivesse a oportunidade, diria ao governador Jaime Lerner (PFL) para ‘‘pôr a mão na consciência’’ e baixar as tarifas do pedágio. ‘‘Ninguém é contra o pagamento. Queremos apenas uma redução’’, pediu. O caminhoneiro Miguel Bernardi, 38 anos, já faz planos para evitar que o segundo filho, de 17 anos, preste vestibular em 99. ‘‘Esse dinheiro vai ter que ir para o pedágio’’, afirmou.
Lúcio Zelinski, de 59 anos, caminhoneiro há 42 anos, disse que a iniciativa privada começou a lucrar em cima de um patrimônio que é público. ‘‘Essa rodovia, nós e nossos pais construímos’’, queixou-se. Zelinski acha que se as empresas querem faturar, ‘‘que comprem terrenos particulares e abram suas próprias rodovias’’. Para ele, o governo deveria usar o ICMS gerado pelo transporte de cargas para conservar as rodovias. ‘‘Onde é que foi parar este dinheiro?’’.
O comerciante Afonso Camargo Guimarães, 44 anos, fazia questão de não esconder a revolta. No entanto, sua insatisfação era com os manifestantes que bloqueavam a BR-277. ‘‘Eles só querem tumultuar’’, acusou. Guimarães ficou mais de uma hora na fila e disse que tinha contatos comerciais em Maringá e seria prejudicado por causo do atraso. ‘‘Estas estradas favorecem a eles também. Eles deveriam propor uma reunião com o governador ao invés de ficarem aqui, parados’’, sugeriu.Mauro FrassonPolêmicaPoliciais e manifestantes durante o protesto: caminhoneiros reclamam que não há obras novas na rodoviaDimitri do Valle

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