Motoristas que lidam diretamente com o transporte de cargas perigosas, como combustíveis, gases ou substâncias corrosivas, muitas vezes não se atentam para os cuidados que devem ter ao circular pelas rodovias. Além disso, mais que a atenção dos próprios caminhoneiros, condutores de veículos menores, que se deparam com esse tipo de carga na estrada, acabam não dando a devida importância aos riscos e fazem manobras arriscadas desrespeitando até mesmo as placas de alerta afixadas nos caminhões.
  O instrutor do Sest/Senat, Rodrigo Battiston, explica que apesar de haver regras para estabelecer as classes de riscos dos produtos, muitos motoristas ainda não sabem identificar os rótulos de risco, o que, segundo ele, pode ser um ‘‘grande problema’’ para todos que estiverem dirigindo nas rodovias. ‘‘Atualmente, os cursos realizados para os motoristas comuns quando vão retirar suas carteiras de habilitação, por exemplo, não orientam sobre esse assunto. Muitos não fazem idéia do significado das placas e acabam provocando situações extremamente arriscadas’’, disse.
  Estudos preliminares desenvolvidos pela Coordenadoria Estadual de Defesa Civil (Cedec) demonstram que o tráfego de veículos conduzindo esse tipo de carga é intenso. Diante do incremento das atividades do Mercosul e da localização nos Estados vizinhos de várias indústrias produtoras de produtos químicos e de derivados de petróleo, a tendência desse volume de tráfego é crescer. Índices de Acidentes nas Rodovias Estaduais e Federais do Estado do Paraná apontam uma média de 60 ocorrências por ano envolvendo veículos que tranportam cargas perigosas.
  Segundo o instrutor, a preocupação com o transporte desses produtos está diretamente vinculada com a segurança, proteção e preservação do meio ambiente. Autônomos ou motoristas de grandes transportadoras deve fazer o curso, conhecido como MOPP - Movimentação de Produtos Perigosos, obrigatório para quem atua com esse tipo de carga. Ao todo, são 50 horas de aula e o curso custa R$ 140, com 50% de desconto para as empresas e autônomos.
  Durante o curso, os motoristas aprendem elementos básicos da legislação, comportamento preventivo, uso adequado de equipamentos de proteção, além de medidas importantes que podem ser tomadas antes de dirigir e durante a viagem com a carga. Também são realizadas demonstrações práticas com a utilização de materiais perigosos para que os motoristas possam visualizar o real estrago quando ocorre um acidente envolvendo algum tipo de substância corrosiva ou tóxica.
  O caminhoneiro Giodazio César da Fonseca, 35 anos, já trabalhou com diversos tipos de cargas, entre elas, bebidas, animais e entulhos. Hoje ele faz o curso de carga perigosa para se preparar para o mercado de trabalho. ‘‘Atuo como autônomo e as empresas hoje exigem que você tenha o curso caso precise carregar algum produto perigoso. Acho muito bom as orientações que recebemos porque no dia a dia acaba passando despercebido e não nos atentamos que algumas mudanças de comportamento na estrada podem evitar muitos acidentes’’, comentou.
  Claudionor da Silva, 54 anos, é caminhoneiro há mais de 30 anos. Para ele, o curso de transporte de cargas perigosas é algo necessário que ‘‘todos deveriam fazer’’. ‘‘Às vezes pegamos uma carga de material químico para transportar junto com alimentos, o que não deve ser feito. Quando sabemos o que pode e o que não pode, não deixamos esse tipo de coisa acontecer. Hoje em dia, muitos motoristas de carro de passeio não respeitam os caminhões, fazem manobras arriscadas. Se eles fizessem o curso saberiam o risco que correm ao ultrapassar caminhões com esse tipo de carga’’, disse.

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