Motorista tem que driblar buracos, chuva e 'pardal'
Durante a forte chuva no final da tarde de segunda-feira, em Londrina, o trânsito ficou lento e congestionado. A cidade escureceu cedo e os cruzamentos, especialmente na área central, ficaram caóticos. Nada de anormal, se não fossem os novos agentes de trânsito os videovigias ou pardais.
Em meio ao rush e à chuva torrencial, a preocupação dos motoristas era driblar os buracos que tomam as ruas da cidade, evitar colisões com outros veículos e ainda escapar do olho eletrônico da prefeitura, que filma infrações como avanço de sinal e obstrução de via pública. Com a escuridão e chuva forte, o motorista enxergava mal, esperava muito tempo para progredir poucos metros e, subitamente, se via estacionado em meio a cruzamentos sob vigilância eletrônica, sem poder avançar nem recuar para desobstruir a via e escapar do flash da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU).
O presidente da companhia, Wilson Sella, diz que em situações especiais as infrações são analisadas e o motorista pode ficar livre da multa que, no caso de avanço de sinal, é de R$ 191,54.
Para isso, a cidade precisaria de guardas de trânsito nos pontos críticos, uma alternativa descartada pela CMTU. Sella diz que isso demandaria contratações, gerando uma despesa que, segundo ele, o município não tem condições de assumir.
O motorista que for surpreendido com notificação tem apenas dois caminhos a seguir: pagar ou contestar a multa. O advogado Alexandre Sutkus de Oliveira diz que as chances de suspender a punição são pequenas para o motorista que alega mau tempo e visibilidade precária. Acho difícil a CMTU arquivar multas por estes motivos. Seriam justificativas extremamente frágeis, avalia, sugerindo à companhia que desative os pardais em dias atípicos, como o de grande caos no trânsito, e desloque agentes para controlar o tráfego nos trechos críticos. (Ruth Meira)





