Paulo Henrique Faria
De Londrina
Especial para a Folha
As pessoas que recorreram na Justiça contra o pagamento das multas de trânsito aplicadas pelos fiscais da Companhia Municipal de Urbanização (Comurb) – popularmente conhecidos por ‘‘azulões’’ – e tiveram ganho de causa, estão perdendo as esperanças de ver seu dinheiro de volta. Tem gente que está na batalha desde que o novo Código de Trânsito entrou em vigor.
A jornalista Roberta Morato, que foi autuada em agosto de 1998 por atravessar o sinal vermelho em alta velocidade no cruzamento da Rua Professor João Cândido com a Rua Pará (centro), é uma das que estão na espera. Roberta entrou com sua defesa em janeiro de 1999, pagou R$ 185,86 em março do mesmo ano, teve a multa indeferida em julho e até agora disse que não recebeu explicações das autoridades competentes.
‘‘O pior de tudo é que no fim deste mês vence o IPVA do meu carro, que é de um valor menor do que eles me devem, mas terei que pagar para não ser multada novamente’’, reclama a jornalista. ‘‘Eles podiam pelo menos abater do imposto esta quantia que eu e muitos outros estamos esperando receber’’, sugere Roberta Morato. Outro problema que a jornalista disse que apurou entre os ‘‘colegas de fila de espera’’ é a falta de preparo dos azulões para lavrar as multas.
O diretor de transportes da Comurb, Carlos Klamas, disse que a questão da liberação do dinheiro passa por um processo que envolve também o Departamento de Trânsito (Detran), justificando, assim, a demora. ‘‘Mas já temos cerca de 50 casos que já foram encaminhados e devem ser liberados dentro de 30 dias. Possivelmente, o da Roberta Morato está entre esses’’, afirmou. Klamas explicou que todas as infrações flagradas pelos fiscais estão previstas no Código de Trânsito, mas que os que tiveram ganho de causa e a multa cancelada podem ficar tranquilos, pois vão receber o dinheiro de volta.
O diretor ainda frisou que os azulões estão passando por um processo de reciclagem para melhor atender e instruir os motoristas que circulam pela cidade, e lembrou que muitas vezes eles só estão auxiliando a Polícia Militar, que também lavra multas. Klamas pediu um pouco mais de paciência e compreensão por parte dos motoristas: ‘‘Nossos fiscais sofrem constantemente agressões verbais e tentativas de agressões físicas, o que só serve para dificultar ainda mais o trabalho deles.’’