Motorista reage a assalto e mata dois
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segunda-feira, 25 de agosto de 1997
Paulo Ubiratan 
Londrina
Marcos BorgesTriste fimOs corpos dos ladrões mortos: revólver enrolado em uma blusa de couro caiu na mão do motorista rendidoO caminhoneiro Luis Carlos Panizzon Batista, 24 anos, matou os dois ladrões, ontem, quando era levado para o cativeiro, depois de ser assaltado nas proximidades do posto da Polícia Rodoviária, na BR-369, entre Cambé e Rolândia. Batista matou os ladrões meia hora depois do assalto, já na PR-445, na entrada de um carreador de café entre Cambé e o distrito da Warta. Ele disparou o seu revólver quando estava deitado na cabine do seu caminhão Marcedes Benz, placas AEM-0984, de Laranjeira do Sul.
Um dos ladrões vinha na condução do veículo enquanto o outro ameaçava Batista de morte com um revólver calibre 32, caso ele tentasse fugir. O caminhoneiro disparou apenas dois tiros com seu revólver calibre 38. Era eu ou os ladrões. Vi a morte de perto. Deus me ajudou colocando a arma nas mãos. Esta foi a primeira vez que fui assaltado e tive o azar de ter a necessidade de matar duas pessoas. Nunca mais vou sair pelas estradas dirigindo caminhão, desabafou o caminhoneiro, ainda em estado de choque, na delegacia de Cambé.
ReproduçãoAntônio Valdecir Brandão, que ameaça Batista se ele reagisse: tiro no pescoço
Uma mulher que estava na direção de um veículo Del Rey, cor branca, conseguiu fugir. Possivelmente ela dava cobertura ao assalto.
Conforme documentos encontrados junto aos corpos, eles foram identificados como sendo de Antonio Valdecir Brandão, 28 anos, que estava com o revólver (recebeu um tiro no pescoço) e de Ailton Cesar dos Santos, 27 anos, que dirigia o caminhão (morto com um tiro na cabeça).
Segundo Batista, ao ser rendido pela dupla ele foi jogado na cabine do caminhão. O seu revólver estava enrolado a uma blusa de couro que estava sobre o banco. Os ladrões não se deram conta e quando o motorista foi jogado na cabina a arma escorregou para perto de suas mãos. Ele contou que pegou o revólver e esperou a oportunidade para atirar.
Primeiro disparei no que estava com a arma e depois no que estava na direção do caminhão. Quando dei o primeiro tiro virou uma confusão: o que estava de motorista parou o veículo e na tentativa de me tirar o revólver começou a morder meu dedo. Então eu disparei mais um tiro. Os dois corpos ficaram sobre mim. Tive que tirá-los para fora da cabina e, na direção do caminhão, fui até o posto Portelão para chamar a polícia.
Quando a polícia chegou ao local os dois corpos estavam amontoados, um sobre o outro, na beira da rodovia.
Ailton César dos Santos, que dirigia o caminhão de Batista: tiro na cabeça
Batista contou que o assalto ocorreu na BR-369, quando o Del Rey estava parado na beira da estrada. Os dois ladrões pediram ajuda, simulando que o carro havia quebrado. A mulher teria permanecido na direção do Del Rey quando ele parou e desceu do caminhão para ver o que acontecia. Na sequência, foi surpreendido com a voz de assalto. O caminhoneiro contou que a caminho da PR-445 os ladrões obrigaram-no a colocar o relógio e a aliança que estavam em um prendedor do painel. Tiraram seus documentos e dinheiro e prometeram não lhe fazer mal.
Naquele momento eu vi que iria ser morto. Eles estavam preparando tudo e não se preocuparam de esconder seus rostos. Batista prestou depoimento ao delegado Nasser Salmen e depois foi colocado em liberdade.


