Motorista quase particular
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sexta-feira, 26 de outubro de 2007
Mariana Guerin<br> Reportagem Local 
Quem não gostaria de ter um motorista particular à espera para ir a todo canto sem se preocupar com horário, tráfego ou o caminho certo a seguir? Como arcar com as contas de um chofer é privilégio de poucos, a maioria se apega ao profissional que está mais à mão, o taxista. E eles aproveitam a preferência para faturar.
Antônia Modesto Guerreiro sofre de diabetes e a cada três meses precisa retornar ao médico. Ela mora na Zona Oeste de Londrina e para chegar ao consultório, que fica na região Central da cidade, sempre chama o Júnior. ''Ele atende muitas pessoas de idade, é um amor, um ótimo rapaz'', define.
Jairo Aparecido Júnior Donato, o Júnior, trabalha há dez anos num ponto de táxi da Avenida Maringá e a especialidade dele é cuidar dos idosos. Ele tem pelo menos seis clientes fixos. ''Tenho uma mãe de idade que é supercarinhosa comigo e tento ser amigável pelo que aprendi em casa. Ajudar um idoso é gratificante, pois quando envelhecer quero ter pessoas assim do meu lado. Estou ciente que um dia vou ficar velho.''
Há três anos ele leva dona Antônia ao médico e a confiança é tanta que ela até já conheceu os pais do amigo taxista. ''Tenho cuidado e atenção redobrados com as pessoas de idade, que também são mais responsáveis que os mais jovens e costumam pagar à vista'', diz Júnior.
O taxista José Mauro da Silva trabalha há 12 anos num ponto próximo ao Terminal Urbano, no Centro de Londrina, e tem dois clientes fixos, a quem ele leva e busca no trabalho quase todos os dias.
Para Silva, no entanto, nem sempre é vantagem atender a mesma pessoa. ''Já perdi trabalho de uma semana porque o cliente deixou para pagar depois e desapareceu. Mas continuo atendendo quem sempre me chama por gentileza.''
Silva explica que o taxista tem três formas de conquistar clientes: no ponto, pelo rádio ou pelo celular. Ele prefere atender as chamadas do rádio, que geram, em média, 220 corridas por mês, o suficiente para ele viver tranquilo. ''Não compensa receber por mês porque se estiver ocupado, o rádio não me passa o cliente e eu perco a corrida'', avalia o taxista.
A dentista Elza Nakamura depende do taxista Paulo Roberto Duck para buscar as filhas Gabriela, 8 anos, e Bruna, 14, no colégio e levá-las para a escola de inglês, para casa ou outro compromisso durante a tarde. ''Elas sempre me ligam e se eu não tenho como ir buscar eu ligo para o Paulinho'', declara Elza.
Segundo ela, a necessidade de contratar um taxista para transportar as filhas surgiu porque as meninas estudavam em horários diferentes. ''Precisava de uma pessoa de confiança e pedi referências a um casal de amigos, que me indicou o Paulinho. Então resolvi levar as meninas até o ponto de táxi para apresentá-las a ele porque o contato direto com o taxista é importante'', conta a dentista, que costuma pagar as corridas mensalmente.
''Quando ele não está disponível, ele aciona um conhecido dele, que também já conhece as meninas e um dá respaldo ao outro'', completa Elza, que também costuma utilizar os serviços de Duck quando fica sem carro.
''Pesquisei os preços das vans, que cobram por mês, independente se a criança vai ou não usar o carro todo dia, e como às vezes eu tenho uma brecha nas consultas e posso buscar as meninas, optei pelo táxi, que custa mais barato'', justifica a dentista, que já trabalha com o taxista há dois anos. ''Ele se tornou meu paciente e até já indiquei o nome dele para outros amigos.''
Segundo Duck, que atende no ponto de táxi da esquina entre as ruas Cambará e Souza Naves, no Centro, outros dois clientes costumam utilizar exclusivamente os serviços do ponto e os taxistas se revezam para atendê-los. ''É uma questão de confiança.''
Para ele, os clientes fixos são propaganda positiva para um taxista. ''Comecei a trabalhar com celular agora, antes ficava só no rádio e no ponto. Mas todas as formas de contato com o cliente são boas'', conclui.


