Motorista precisa mudar, diz médico
De tanto prestar socorro a vítimas do trânsito por sua atuação no Samu e no Siate em Londrina, o médico Sérgio Canaveze decidiu pesquisar as características dos acidentes em sua tese de Mestrado em Saúde Coletiva pela Universidade Estadual de Londrina (UEL). O trabalho está em fase inicial mas ele já teve acesso a dados que permitem algumas análises. Por exemplo, em cerca de 50% das ocorrências com morte no Brasil há um fator em comum: a bebida alcoólica. E mais. Pesquisa nacional indica que seis em cada 10 acidentes têm relação com comportamento de motoristas ou de pedestres.
Canaveze vai usar o banco de dados da 2 Companhia da Polícia Rodoviária Estadual, que abrange cerca de 3,5 mil km e 79 municípios do Norte. ''Pretendia correlacionar a pesquisa com o uso de bebida alcoólica. Mas é um dado difícil de coletar porque apenas em torno de 5% das ocorrências são feitos testes com o bafômetro'', aponta o pesquisador.
Conforme o médico, os acidentes envolvendo motoristas alcoolizados tendem ser muito mais graves. ''Estudos indicam que o tempo de reação - intervalo entre constatar o perigo e tentar intervir - do condutor em estado normal é em torno de 0,75 segundos. Com o uso do álcool, o tempo pode triplicar. Quanto maior o tempo de reação, menor é a capacidade de intervenção no acidente e mais grave ele se torna'', esclarece.
Canaveze aponta ainda que 60% dos acidentes registrados no Brasil estão relacionados ao comportamento de condutores e pedestres, 30% estão ligados às condições da pista e fatores climáticos e só 10% se associam a defeitos nos veículos. ''Precisamos formar um fórum permanente de discussão, que não envolva apenas órgãos públicos mas toda a população. Sinalização e fiscalização são importantes mas o parafuso que tem que ser atarraxado é o comportamento do condutor.'' (L.A.)





