Motorista pode ter forjado sequestro
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terça-feira, 28 de maio de 2002
Andréa Lombardo Equipe da Folha 
Curitiba Um caso no mínimo curioso de suposto sequestro, na tarde de ontem, mobilizou as polícias rodoviária federal, militar e civil, em Curitiba. O caminhoneiro Geraldo Armindo Volbrech, de Porto Alegre, Rio Grande do Sul, ao ser parado num posto policial da BR-116, próximo ao trevo do Atuba, relatou aos policiais que estaria sendo vítima de um sequestro e forçado a vender seu caminhão.
Volbrech e os supostos sequestradores três pessoas que estavam em um carro modelo Uno foram encaminhados ao 5º Distrito Policial, onde foram interrogados. A conclusão preliminar do delegado adjunto Celso Neves, foi de que o caminhoneiro teria se arrependido de vender o veículo e, por isso, teria forjado o sequestro.
A partir da versão dos acusados, a polícia acompanhou Volbrech até uma agência bancária e constatou o depósito feito no valor de R$ 24 mil como parte do pagamento pelo caminhão. A mulher de Volbrech, segundo Neves, também confirmou aos investigadores, por telefone, que ele estaria tentando vender o veículo e foi, inclusive, orientado por ela a fechar o negócio. O caminhoneiro já teria sofrido dois acidentes e o caminhão estaria dando prejuízo.
De acordo com o relato dos envolvidos, depois do último acidente, ocorrido em São Paulo, Volbrech teria procurado a oficina e lá teria se convencido a vender o caminhão, uma vez que o conserto lhe custaria R$ 3 mil. Os funcionários da oficina é que estariam acompanhando Volbrech até Curitiba para indicar o local onde ele poderia comprar um outro caminhão de menor valor.
Se ficar comprovodo que Volbrech forjou o sequestro, ele poderá ser indiciado por falsa comunicação de crime, cuja pena é de até um ano de detenção ou, ainda, por denunciação caluniosa. Nesse caso, a condenação pode variar entre dois e oito anos de prisão.


