Motorista pode ser julgado por homicídio
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terça-feira, 18 de abril de 2006
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
Quase um ano depois do acidente que provocou a morte do atendente de farmácia José Arrebola Neto, 40 anos, a mãe e dois filhos dele ingressaram com ação na 3ªVara Cível de Londrina requerendo indenização por danos morais e materiais. Na manhã do dia 8 de maio do ano passado, a vítima passava com seu veículo pelo cruzamento das ruas Brasil com Goiás quando foi atingido por um VW Polo, conduzido pelo estudante Guilherme Costa Alves Nunes. O inquérito sobre o acidente foi distribuído para a 2ªVara Criminal mas poderá ser remetido para a 1ªVara Criminal que apura crimes contra a vida , já que o promotor que apreciou o caso entendeu que houve dolo eventual, ou seja, o condutor do Polo teria assumido o risco de provocar a tragédia.
O pedido do promotor da 2ª Vara Criminal, Eduardo Diniz Neto, seguiu ontem para apreciação do juiz substituto Délcio Miranda, que tem cinco dias de prazo para dar seu parecer. Caso ele concorde com a tese do Ministério Público de que teria havido dolo eventual por parte do estudante já que o laudo do Instituto de Criminalística aponta que estaria alta velocidade no momento do acidente e testemunhas relatam que ele não teria respeitado a sinalização do semáforo , o inquérito será enviado para a 1ª Vara Criminal.
Se a denúncia for oferecida, o rapaz será julgado pelo Tribunal do Juri. Não é comum que um acidente de trânsito com morte seja caracterizado como crime doloso mas, nesse caso, os indícios de produção do resultado fatal ficaram evidenciados pelas investigações, comentou o advogado da família da vítima, Omar Baddauy.
O escritório de Baddauy ingressou anteontem com ação de ressarcimento por danos morais e materiais em favor da mãe do atendente, Nelide Recanello Arrebola, e dos dois filhos da vítima. Eles pleiteiam R$ 100 mil por danos materiais e mais 500 salários mínimos por danos morais para cada um dos familiares. A ação foi proposta contra Guilherme, que tinha 20 anos à epoca, e contra o pai dele e proprietário do veículo, o empresário Manoel Luiz Alves Nunes.
Os familiares de Arrebola Neto preferiram não falar sobre o assunto mas, segundo Baddauy, estão satisfeitos com o andamento do caso. A família se sente confortada em saber que tudo está sendo conduzido nas vias legais e que a Justiça vai ser aplicada a esse fato que causou uma perda lamentável, resumiu o advogado.
O atendente morreu por volta das 7 horas do dia 8 de março do ano passado, data em que se comemorava o Dia das Mães. Ele havia acabado de sair do trabalho. No acidente, o estudante e outras duas pessoas sofreram ferimentos.


